teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Sobre “laboratórios de informática”, escola e tecnologia

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Aluno: “O que é que esse cara quer? Tá zoando, brincar de montar páuerpóinti. Vou floodar o perfil desse zé-ruela. Galera, vamos trolar o prof? Sem sacanagem, é só dar um google e tá pronto o trabalho”.

Professor: “Bom, quero ver quem vai conseguir entregar esse trabalho. Essa molecada acha que é só dar um copiar-e-colar e tá pronto. Acham que sabem tudo, humprf. Quero ver quem é que vai conseguir ao menos chegar perto de uma (faculdade) pública. Tão de sacanagem…peraí, q q é isso no meu perfil?”

Gestor escolar: “Preciso lembrar de avisar o pessoal do CPD pra bloquear o MSN dos micros…como será q esses moleques ainda conseguem conectar aqui no laboratório da escola?  É nisso que dá ficar comprando computador novo, esse negócio de educação liberal, o professor aprender a usar micro, essas coisas. Que saco. Bom, antes de ir lá vou dar uma olhada no meu Fëice…”

O senso comum poderia facilmente autorizar as idéias acima. Não que elas estejam muito distantes do que se passa no ambiente escolar  – em uma situação no Ensino Médio, por exemplo –  em alguns momentos quando se pensa o uso de novas tecnologias.

Mas esta é uma visão reduzida.

Indo um pouco além, seria razoável imaginar que o problema passa menos pelo uso de equipamentos e softwares e pelas rotinas de uso e mais pela dificuldade em organizar o conhecimento teórico e a prática sobre como a tecnologia digital transforma a maneira em si de trabalhar.

Gestores escolares provavelmente acreditam bastante na visão macro, cartesiana, de um grande sistema operacional envolvendo o “laboratório de informática” da escola, alunos e o professor; este, por sua vez, parece não raro levemente confuso entre tentar encontrar uma maneira de realizar uma aula eficaz com o uso de tecnologia e a dificuldade de entender porque aquela idéia bacana de pedir trabalhos em Power Point não funcionou como deveria.

Alunos…bem, eles ainda esperam em boa parte da escola a organização que muitas vezes não têm numa rotina permeada pelas marcas da web 2.0 – instantaneidade, compartilhamento, trabalho em rede, individualização de processos, informação ao mesmo tempo fragmentada e interconectada. Com  certa razão, por vezes sentem-se desmotivados por encontrar desafios numa área que dominam – o uso das rotinas em mídias digitais – muito aquém das habilidades que conquistam mais rapidamente do que qualquer ambiente escolar consegue acompanhar.

Mesmo o termo “laboratório de informática” é capaz de traduzir essa falta de sincronia. Não há mais laboratório algum. Caso tenha existido – e se ainda o há – é apenas para testes de novos equipamentos e idéias. E, ainda assim, ele não fica mais em uma sala, muito menos apenas em uma cidade ou país. O que existe, cada vez mais, é uma imensa massa critica sendo construída por gente com visões tão diferentes quanto a própria experiência de cada um com a tecnologia.

 

Rodrigo – Exercício 4

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

24/11/2011 às 0:02

Publicado em TV Digital

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