teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Adivinha o que vem por aí?

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Se eu disser que não sei como as coisas funcionam na sua época, minto.
Eu sei.
Talvez um pouco por experiência, já que boa parte das traquitanas e geringonças criadas por aí duraram ao menos até parte da minha infância. Este talvez fosse seu maior espanto se desse uma espiadela cá para estes anos, bacanas e ao mesmo tempo um pouco desajustados…
Nada dura. Estamos criando um mundo descartável, baseado na impermanência, cujo lastro, em parte, é o consumo fácil. Há vantagens, como a ampliação do acesso aos bens materiais e serviços – estes sim, bem bacanas. Mais ou menos aí por sua época estão inventando uma tal Arpanet. Vai dar o que falar. Ela já deu cria, e o filhote mais ilustre é a internet. Como funciona? Imagine ler, falar, ouvir, ver outra pessoa por meio de uma tela como a da televisão, tudo ao mesmo tempo e na hora. Enviar textos, fotos e até vídeos (sei que aí ainda são chamados de “filmes”) para qualquer lugar do mundo, sem demora.
Coisa de maluco, não?
É assim que funciona e já fez muita coisa boa acontecer. Parte do mundo árabe – que quando você mora ainda deve ser visto como uma imensa caixa de areia cercada de camelos por todos os lados – está mudando (para melhor, quero acreditar) justamente pelo fato de as pessoas poderem se comunicar mais e melhor. Dá para reencontrar pessoas, conhecer um pouco mais sobre o mundo e até dar mais voz às próprias idéias.
Mas nem tudo é tão bom assim. O que conecta, também afasta. Em parte, parece que estamos criando um exército de solitários; uma comunidade de pseudo-agregados, em cujo contato com o outro sempre há uma tela no meio. Temos muito para comprar e usar, mas cada vez mais fazemos isso sozinhos. A televisão? Parece coelho: multiplicou-se e agora há uma em cada cômodo da casa – e com apenas um espectador por vez. Música? Nunca se produziu tanto, mas também nunca antes na história desse povinho besta se perdeu tanto o hábito de ouvir um disco a dois, a três, enfim…Aliás, disco mesmo acabou. Até mesmo como conceito, parece, pois agora só são lançadas uma ou duas músicas por vez.
Falando nisso, um dia eu conto mais sobre como se ouve música por aqui. Enquanto isso não acontece, guarde algum dinheiro. Quando aparecerem uns moleques por aí – o nome de cada um deles é Steve Jobs e Bill Gates – fique de olho. Assim que eles resolverem começar um negócio, vá lá e pergunte se eles têm ações para vender. Compre. Bastante. E depois, quando chegar aqui, me doe algumas, ok?

Rodrigo

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

10/11/2011 às 9:26

Publicado em TV Digital

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