teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Brincando de consumir

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Meu filho ganhou de presente do avô o “Super Jogo da Vida”. A embalagem já avisava: “agora com cartão de débito e crédito no lugar das notas de dinheiro!”. Imagens de sorrisos, diploma, carro e casamento, ao lado das marcas dos patrocinadores e do fabricante.

Cada jogador tem um cartão bancário, com número de 16 dígitos e as datas de validade. A maquininha registradora controla o jogo. O objetivo é tornar-se “milionário”. Mas, no “dia do juízo”, a roleta eletrônica também pode mandar você para a “falência” ou torna-lo apenas “magnata”. No caminho, o jogador vai ganhando e gastando dinheiro. “Parabéns! O novo Uno foi eleito o carro do ano e você ganhou o prêmio comemorativo Fiat! Receba $ 2.000.” “As ações subiram! Receba $ 4.800 se tiver ações do Itaú.” “Dia do pagamento. Receba no seu Mastercard.”

A fórmula é até antiga. Para as crianças, o desafio de ser adulto e ter responsabilidade. Para as empresas, uma oportunidade de vender não apenas o brinquedo, mas também a interação com as marcas. Em outros casos, game advertising pode ser até criativo. Mas tem pai que não gosta. Ainda mais quando a propaganda se sobrepõe ao jogo, passa a ser o próprio roteiro, uma forma pronta a determinar o conteúdo.

Isso já existia quando eu era criança. Hoje, é multimídia, transmídia, está no celular, em qualquer tela, na internet. Geralmente, esses jogos publicitários vêm com algum tipo de promoção ou campanha para captação de cadastros ou de seguidores para relacionamento em redes sociais. As marcas que patrocinam o “Super Jogo da Vida” apenas nos lembram que a doutrinação para o consumo começa cedo.

Mas na vida, ao contrário do jogo, nem tudo é sorte. Quando as crianças crescerem é que verão, no bolso e nas ruas, que a ação de todas as marcas que invadem nossas mentes para satisfazer tanta ânsia de consumo não é apenas de brincadeira.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

17/11/2011 às 15:39

Publicado em Coluna

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