teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Como saber que se sabe

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Dizem que jornalista não sabe, mas que sempre sabe quem sabe. Ainda assim, seu problema é saber se quem disse que sabe sabe mesmo. Se sabe com base em quê? No que viu? No que leu? No que ouviu? No que viveu? No que imaginou? Se o jornalista não souber isso, seus leitores muito menos irão saber.

É como na vida. Qual caminho seguir? Em que médico confiar? Qual alimento escolher? Em que aplicação investir? Castigar um filho ou relevar? Ninguém sabe ao certo o que fazer. Alguns têm mais informação. Mas justificar o saber que vale mais quase nunca é simples.

Prefiro pensar que jornalista pode saber das coisas sim. Está longe de saber tudo sobre qualquer coisa. Mas precisa estar mais perto de saber alguma coisa sobre quase tudo o quanto possa ver, ler, ouvir, vivenciar e imaginar por aí. Para muitos, esse é o maior atrativo da profissão.

Por que, então, iria querer um jornalista se especializar?

Acho que existem alguns jornalistas que, em vez de optar por saber mais, decidem tentar saber melhor. Intrigam-se tanto, se interessam tanto, que passam a viver para procurar meios de melhor conhecer. E devolvem a questão a si mesmos: como posso saber se isso que penso saber deve mesmo ser assim?

Para alguns, esse interesse acaba virando paixão. Para os patológicos, vira obsessão. Acabam se dedicando mais ao modo de conhecer do que à coisa que, até então, queriam saber. Já quase não falam mais do assunto, seduzidos por métodos, evidências, probabilidades e refutações. Dizem que alguns ficam loucos. Vale a pena? Vá saber…

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

26/09/2011 às 10:53

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