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Francisco Rolfsen Belda

Corrupção nossa de cada dia

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Ontem, 12 de outubro, foi dia das crianças, dia da padroeira do Brasil, dia do descobrimento da América, dia do atletismo e, também, dia de marcha contra a corrupção em dezenas de cidades no País. Em Araraquara, os organizadores imaginavam atrair cerca de 600 pessoas até o Parque Infantil. Ao final, após a exibição de faixas e algumas palavras de ordem, apenas 80 assinaturas foram colhidas.

São números tímidos, é verdade. Ainda mais quando se sabe que nem todos os que rubricaram seu apoio estavam lá exatamente para isso. Mas a iniciativa é válida, e serve para mostrar que o engajamento cívico das novas gerações pode chegar um pouco além de se apertar o botão “curtir” ou de teclar 140 caracteres em uma rede social.

 

O problema é que muita gente que se indigna, abstratamente, contra a corrupção no País e faz de políticos, genericamente, o alvo central de sua fúria moralista ainda aceita praticar ou conviver, diariamente, e quase sem incômodo, com uma série de pequenos desvios que, gradualmente, ajudam a corromper nosso senso de cidadania.

 

É o caso, por exemplo, de quem não vê problema em furar fila, parar carro em vaga reservada a idosos e deficientes, avançar de propósito sobre faixa de pedestres, jogar lixo pela janela, deixar na calçada cocô do cachorro, ou mesmo pagar “por fora” a funcionários públicos para acelerar expedição de documento ou tentar reverter autos de infração.

 

A teoria jurídica ensina que a corrupção política é, sempre, uma decorrência da corrupção social. Primeiro a sociedade se corrompe para, depois, corromper o Estado. No imaginário popular do Brasil, o interesse pessoal sempre esteve acima do interesse coletivo. Mandar político corrupto para a cadeia é o mínimo que se pode cobrar de um Estado de Direito. Mudar a mentalidade que legitima nossas pequenas corrupções de cada dia, porém, é o dever de casa.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

13/10/2011 às 22:43

Publicado em Coluna

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