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Francisco Rolfsen Belda

Elefante branco

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A proposta de concessão da Arena da Fonte à iniciativa privada confirmou, agora, o que muita gente já comentava antes mesmo de sua reinauguração: o estádio que viu a Ferroviária ser tricampeã do Interior (e depois cair para a série B-1), que consagrou jogadores como Pio e Bazani (e também vencedores de bingos caça-níqueis) e que recebeu investimentos do Governo Federal para reerguer-se de acordo com os padrões da Fifa (embora equipamentos de tevê mal passem pelos corredores que dão acesso às cabines de imprensa), a Arena da Fonte, enfim, é hoje um elefante branco para a cidade.

O professor Ari Riboldi, autor de livros populares como “O Bode Expiatório” e “Cabeça-de-Bagre”, conta que a expressão vem do antigo Reino de Sião, onde havia a tradição de se presentear o rei com elefantes albinos, considerados raros e sagrados pelo budismo. Caso um súdito recebesse do rei, em retribuição, a honraria (ou a maldição) de ter ele também um elefante branco, deveria então alimentá-lo, tosá-lo, limpá-lo e mantê-lo sempre impecável, sadio e confortável pelo resto da vida.

O Brasil está cheio desses elefantes brancos. A maioria são obras públicas que, depois de inauguradas, não têm grande utilidade. Os Jogos Pan-Americanos de 2007 deixaram diversos espalhados pela capital fluminense, entre velódromos, arenas e parques aquáticos. A Copa do Mundo também deverá gerar os seus. Em Santos, por exemplo, existe uma ponte gigantesca que liga nada a lugar nenhum. E tem até procurador da República dizendo que a usina de Belo Monte, no Pará, também pode vir a ser um deles.

Eu, particularmente, gosto da Arena. Sinto orgulho ao vê-la na silhueta da cidade, ao passar pela Via Expressa ou pelo pontilhão sobre os trilhos. Acho que Araraquara ganhou com ela mais do que perdeu. Mas entendo que esse elefante não deva ser penteado com dinheiro público, a R$ 70 mil mensais. A depender das condições da concessão, haverá quem se habilite. Só resta saber exatamente o quê a iniciativa privada pretende fazer com esse animal sagrado.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

01/12/2011 às 15:43

Publicado em Coluna

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