teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Empreender ou não, eis a questão

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Empreender parece ter virado palavra mágica entre economistas, editores, palestrantes, banqueiros, políticos, marqueteiros e consultores de negócios país afora. Fala-se disso em todos os meios, para todos os públicos, desde o vendedor ambulante que sonha montar sua lanchonete até o engenheiro que planeja desenvolver um software capaz de desbancar o Google ou o Facebook. Cada um puxa a brasa para sua sardinha, claro, já que esse discurso ajuda a emplacar consultorias, vender revistas, alavancar matrículas, estimular financiamentos e disseminar otimismo no mercado. Mas o entusiasmo tem lá seu fundamento. 

O argumento básico é que há no Brasil, atualmente, um cenário propício para que profissionais talentosos transformem boas ideias em bons negócios, incorporando inovações, explorando nichos e criando novos mercados, sobretudo ligados à internet. Vejam, por exemplo, casos como Peixe Urbano, BuscaPé, Clickon e ViajeNet, entre outras empresas citadas pela Forbes na lista das 10 melhores startups tupiniquins. Mais acesso ao crédito e aos meios de produção, mercado consumidor emergente e estabilidade monetária, além de criatividade e muito trabalho, formam a base da ciranda. Tem até gente saindo de Nova York para empreender aqui, em um sonho americano às avessas.

Mas, apesar dessa onda, apostar em um negócio próprio não faz parte da cultura e dos planos da grande maioria dos jovens brasileiros. Seu objeto de desejo ainda parece ser as carreiras públicas, como mostram as centenas de milhares de candidatos inscritos em concursos e em seus respectivos cursos preparatórios. As famílias, em geral, ficam aflitas quando um filho decide empreender (mesmo se há chance de ganhar milhões) e comemoram com espumante sua aprovação em um concurso (mesmo se o salário não chegar a quatro dígitos). Renda fixa, estabilidade, aposentadoria integral, horário previsível e pouca dor de cabeça ainda são atrativos maiores. E essa cultura, que lembra o legado de Dom João VI, não se muda apenas com palavras mágicas.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

05/04/2012 às 23:41

Publicado em Coluna

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