teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Epistemologia e validação de conhecimento

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Princípios epistemológicos para o tratamento de informações especializadas. Problemas associados ao método racional e crítico de validação de conhecimentos.

Jornalismo pode ser definido como a mediação crítica das observações e dos discursos sobre acontecimentos e saberes de atualidade que transformam a realidade. Mas, afinal, O que é observação? O que são acontecimentos? O que são saberes? O que é a realidade?

Reflexão inicial: Os mundos 1, 2 e 3, segundo Karl Popper.

1. Princípios de epistemologia

  • Quanto maior o conhecimento, maior a percepção de ignorância
  • Distinção entre crença (“doxa”) e conhecimento (“sofia”)
  • Crença como senso comum, religião, tradição, mitologia
  • Conhecimento como filosofia (e depois também ciência)
  • Legitimação dos saberes como busca por conhecimentos justificados
  • Justificação dos conhecimentos como busca e aproximação da verdade

2. Atitudes ante a questão do conhecimento:

  • Dogmatismo: aceita a possibilidade de conhecimentos seguros, universais, com certeza
  • Ceticismo: dúvida da sobre a possibilidade de conhecimento seguro, universal e certo
  • Relativismo: nega a existência de uma verdad; cada indivíduo possui sua própria verdade
  • Perspectivismo: há verdade absoluta, mas pode-se ter apenas uma visão parcial sobre ela

3. Abordagens ante a questão do conhecimento:

  • Objetividade: qualidade de um enunciado passível de teste intersubjetivo (controle crítico)
  • Subjetividade: qualidade de um enunciado decorrente de sentimento de convicção (crença

4. Sentidos de raciocínio, de premissas a conclusões:

  • Inferência indutiva: raciocínio que tem premissas em enunciados singulares (descrições dos resultados de observações ou experimentos) e conclusões em enunciados universais (hipóteses ou teorias)
  • Inferência dedutiva: raciocínio que tem premissas em enunciados universais e conclusões em enunciados singulares

5. Aristóteles e a formação de um método para as ciências naturais

  • Classificação e organização do conhecimento
  • Coleta sistemática de dados para uma história natural
  • Influência do pensamento aristotélico na cultura grego-latina

6. A revolução científica medieval: o renascimento da ciência

  • Revisão artístico-cultural: Rafael, Micheangelo, Leonardo
  • Revisão cosmológica: Copérnico, Bruno, Keppler, Galileu
  • Aprofundamento: Leonardo Da Vinci e Galileu Galilei

7. Esboços para o estabelecimento de um método científico

  • Descartes e o racionalismo clássico: ordem e fragmentação
  • Bacon e a noção de ciência aplicada
  • Bases do método científico:
    • Observação de evidências
    • Problematização de questões
    • Racionalidade: indução, dedução, hipóteses
    • Experimentação: verificação e falseamento
    • Interpretação crítica dos resultados

8. A evolução da ciência na idade moderna

  • Positivismo lógico e o empirismo filosófico
  • Sociedades científicas européias e americanas
  • Grandes inventores e avanço da tecnologia
  • Novas teorias na física, química e biologia
  • Teoria como unidade epistêmica, deve ser:
    • Sintética e representar um mundo não contraditório
    • Passível de falseamento (critério de demarcação)
    • Submetida a provas e resistir a elas
  • Método para prova dedutiva de teorias:
    1. Hipótese (idéia, sistema teórico)
    2. Conclusões tiradas por dedução lógica
    3. Provação da teoria
    4. Critérios de prova:
      • Coerência interna e forma lógica
      • Relação com outras teorias
      • Aplicação empírica das conclusões
      • Prova positiva = alicerce temporário da teoria = corroboração da teoria
      • Prova negativa = abandono da teoria = falseamento da teoria

9. A revisão crítica do racionalismo

  • Noção de paradigma como relativização do conhecimento
  • Valores de verdade, neutralidade, autonomia e imparcialidade
  • Prestígio, cargos, corporações científicas, poder e capitalismo
  • Pós-modernidade, complexidade e novos programas de pesquisa

10. Noções e reflexões sobre o método científico

  • Princípios de precisão, coerência e evidência
  • Noções de modelo, recorte e amostragem
  • Fragmentação e problematização da realidade
  • Unidades epistêmicas: proposição, teoria, paradigma, programa
  • Explicação científica como processo de controle
  • Compreensão científica como atribuição de sentido
  • Reflexão como questionamento de significados atribuídos

11. Teorias da complexidade

  • Escola filosófica que propõe a indissociabilidade dos fenômenos que compõem o mundo (totalidade orgânica) e a abordagem multidisciplinar como forma de construção do conhecimento.
  • Edgar Morin: “Introdução ao Pensamento Complexo” (1991:17/19): “À primeira vista, a complexidade é um tecido (complexus: o que é tecido em conjunto) de constituintes heterogêneos inseparavelmente associados: coloca o paradoxo do uno e do múltiplo. Na segunda abordagem, a complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem o nosso mundo fenomenal. Mas então a complexidade apresenta-se com os traços inquietantes da confusão, do inextricável, da desordem, da ambigüidade, da incerteza… Daí a necessidade, para o conhecimento, de pôr ordem nos fenômenos ao rejeitar a desordem, de afastar o incerto, isto é, de selecionar os elementos de ordem e de certeza, de retirar a ambigüidade, de clarificar, de distinguir, de hierarquizar… Mas tais operações, necessárias à inteligibilidade, correm o risco de a tornar cega se eliminarem os outros caracteres do complexus; e efetivamente, como o indiquei, elas tornam-nos cegos.”

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

01/09/2010 às 4:13

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