teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Escola para quê?

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Em breve futuro, não será mais tão simples responder a uma criança por que ela tem, necessariamente, de ir à escola todos os dias. Dizer que lá ela irá estudar, aprender, descobrir, conhecer amigos, expressar ideias, fazer prova, passar de ano e, por fim, receber um diploma parecerá cada vez menos convincente para as próximas gerações, que terão seu conhecimento e experiência de vida fortemente influenciados por outras redes e ferramentas de comunicação e relacionamento, como, aliás, já começa a ocorrer.

Diante do desafio, muitas escolas públicas e privadas passaram a incorporar tecnologias à sala de aula, usar conteúdos multimídia para ilustrar o currículo e, algumas, até a experimentar certas atividades à distância, pela internet.

Mas há quem vá além e se proponha a reinventar a própria missão escolar. Defendem, por exemplo, que a formação de professores, a organização pedagógica e as regras disciplinares assumam um caráter menos instrucional, ao que atribuem grande parte da indisciplina e do desinteresse dos alunos. Assumem que, logo, todos poderão obter (ou simplesmente copiar), na internet, mais e até melhor informação sobre cada matéria, e utilizar vídeos, fóruns, wikis e outros recursos para compartilhar ideias.

Se esse for mesmo o futuro, pode ser até que os alunos não precisem, necessariamente, de uma sala de aula. Mas precisarão sim, e desesperadamente, de orientação, mediação, supervisão e avaliação nesses novos processos de aprendizagem, haja vista que a internet evolui como um emaranhado quase infinito de versões e opções de saber ainda pouco conexas e sistematizadas, e que as redes sociais servem quase que exclusivamente à autopromoção e ao espalhafato.

O fato real é que, mal ou bem, as crianças de hoje já nasceram conectadas e estão reaprendendo a aprender rapidamente. De alguma forma, a escola terá de fazer o mesmo para poder lhes ensinar que competência não é só habilidade e que informação não é sinônimo de conhecimento.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

22/12/2011 às 15:47

Publicado em Coluna

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