teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Exercício 2

com um comentário

Por Luana Fernanda Ibelli 

Carta para a Lourdinha de 1980.

Oi, mãe, tudo bem? Eu sei, você agora tem 15 anos e não tem filha nenhuma. Mas espera mais uns 8 anos que você vai ver. Então, tô te mandando essa carta aqui de 2011, pra te contar umas coisas que acontecem hoje e que eu sei que a sua versão de 15 anos ia gostar de saber.

Em pouco tempo, você não vai mais precisar brigar com a tia Maria Emília toda vez que ela implicar com você dançando na sala ao som de Pink Floyd, porque atrapalha ela de ver o programa do Sílvio Santos. Desde o ano passado (o seu ano passado, 1979) uma empresa no Japão começou a vender um negócio que chama Walkman, que é um tocador de fita cassete pequeno. A ideia é levar música pra onde você quiser, só que ao invés de carregar por aí um aparelho de som gigante, você prende o Walkman na calça, coloca fones de ouvido e ouve música em qualquer lugar. E esse Walkman evoluiu tanto que aqui em 2011 temos um negócio que chama MP3 player (‘eme pê três plêier’ – inglês ainda é a língua do futuro, esperanto nunca vingou, viu?). Tem alguns que são menores que o seu dedo indicador, e cabem mais de 200 músicas dentro dele, e tô falando do mais simples que tem. Se a sua versão de 15 anos viesse aqui pra 2011, poderia dançar as suas 200 músicas onde bem entendesse com um MP3 player, e a tia Maria Emília ia poder ver o Sílvio Santos se ela quisesse, porque ele ainda tá na televisão. Só que tá meio maluco, jogando aviãozinho de dinheiro no decote das moças, fazendo criancinha chorar no palco e contando piada que, se a vó Celina ouvisse, nunca mais ia deixar a tia Maria Emília ver o programa dele.

Ah, mãe, você já deve ter visto uma matéria do Fantástico (ainda existe também, só que os apresentadores usam roupas mais bonitas) onde diziam que, no futuro, ia dar pra ver a pessoa com quem se conversa no telefone. Então, isso já existe. Pra começar, os telefones são portáteis (a gente chama de celular), e a maioria tem uma tela pequena nele. Dá pra falar vendo a pessoa do outro lado, se quiser, mas esse negócio não é sempre tão legal quanto parece. Pensa só: quando você se atrasar pro trabalho e seu chefe te ligar, você não vai poder falar que já tá a caminho e só atrasou porque teve um acidente que parou o trânsito, quando na verdade você perdeu a hora e acordou com ele te ligando – ele vai te pegar na mentira. E se seu namorado te liga enquanto você tá fazendo faxina na casa, suada, com o cabelo despenteado e a camiseta mais feia que você tem, você vai querer que ele te veja assim, pelo telefone? Então não acredita nesse povo do Fantástico quando eles dizem que isso é a coisa mais legal do mundo, porque nem sempre é. Tem que saber usar essas coisas, mãe.

Também quero te contar sobre o microcomputador e a Internet. Você já deve ter ouvido falar neles (no Fantástico também, né?), e se aí no seu tempo isso é coisa de cientista, grandes empresas ou de gente muito rica, em 2011 quase todo mundo tem acesso. Gente pobre até, mas não os muito pobres (infelizmente algumas coisas não mudaram…). Com o computador e a Internet, dá pra ver notícia do mundo todo, em tempo real. Dá pra mandar instantaneamente mensagem escrita, e também em som e imagem, pra qualquer lugar do mundo. Dá pra ver filme de graça, se você quiser. E quase ninguém hoje em dia trabalha sem ele. E tem tantos tipos de computador, de tantos tamanhos, e que faz tanta coisa diferente, que não vai dar pra contar tudo aqui. Só te digo que daí a 31 anos você vai estar fazendo curso pra aprender a mexer nele, porque ninguém aqui em casa teve paciência pra te ensinar (Fica brava não, mãe. Filho é bobo mesmo).

P.S. Pink Floyd ainda tá muito na moda aqui no futuro, e “The Wall” é considerado um dos melhores álbuns da história do rock. Então, se for pra escolher entre esse álbum e aquele do Julio Iglesias pra guardar pro futuro, fica com o do Pink Floyd. Sério, mãe.

Beijos,

Luana.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

24/11/2011 às 23:29

Publicado em TV Digital

Uma Resposta para 'Exercício 2'

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  1. Por: Regiane Zolezi

    Pai ? Lembra quando você era jovem e morava na fazenda? Lembro que você ia ao vilarejo proximo sempre a cavalo para estudar. Um dia o vô pediu para o senhor na volta à fazenda trazer alguma coisa do vilarejo e Sr. Esqueceu. O vô nem deixou o Sr. Descer do cavalo e dar água para ele. Eu nem existia quando esse fato ocorreu, mas lembro perfeitamente desde o momento que o Sr. me contou.
    Hoje pai a vida não é mais assim tão difícil, o distante não é longe. Podemos fazer compras pela internet e com entrega em casa. O celular ficou tão pequeno, mas com várias utilidades. Com ele acessamos internet, pagamos contas, lemos e-mail, assistimos programas de televisão e muitas outras coisas. As contas, as pagamos pela internet. Sabe, pai, as vezes trabalho nos computadores do meu serviço sem sair de casa.
    A televisão é uma tela enorme e fina conectada a vários dispositivo. Com o home theater conectado na televisão podemos usar o DVD ou o blue-ray, transformanda essa tela me um cinema.
    Podemos ter nossa casa vigiada 24 horas por dia e podemos acessar para acompanhar o que esta ocorrendo a qualquer momento. Tem o GPS que serve para localizar pessoas e lugares.
    Tudo isso precisamos de dispositivos para prover essas facilidades. Com toda essa tecnologia, hoje em dia conversamos muito pouco pessoalmente com as pessoas de nossa família. Ah pai, sinto falta, na verdade, de nossas conversas todas as noites na varanda de casa.

    alunoppgtvd

    11/01/2012 em 20:14

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