teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Exercício. Comentário sobre uso de pesquisas no noticiário

com 17 comentários

Leia o texto seguir, da jornalista Suzana Singer, ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, publicado em 10/06/2012. Reflita sobre os critérios de seleção, apuração e tratamento editorial relacionados ao uso de pesquisas como fonte de informação para o noticiário jornalístico. Publique, então, um comentário nesta página com sua visão sobre o assunto. Dica: procure relacionar o tema com os conceitos de teoria e método de pesquisa científica estudados no segundo bimestre.

Ombudsman – SUZANA SINGER

Pesquisou, virou manchete

Jornal divulga levantamentos sem avaliar se eles foram feitos corretamente

QUEM acredita que mais da metade dos brasileiros já tinha ouvido falar, no início do ano, da conferência Rio+20? Ou que 93% dos torcedores aceitariam bem um jogador de futebol assumidamente homossexual? Imagino que nem ecoxiitas nem os organizadores da Parada Gay assinariam embaixo de resultados como esses, mas ambos tiveram destaque na Folha.

No último dia 16, “Ciência” divulgou pesquisa, feita em oito países, sobre temas ambientais. Além de se saírem bem na pergunta sobre o encontro da ONU, os brasileiros responderam corretamente o que é “biodiversidade” (46% de acerto; contra 10% dos alemães) e “desenvolvimento sustentável” (58%).

O levantamento foi feito com “consumidores de produtos de beleza e de alimentos industrializados das classes A, B e C” -uma amostra bem esquisita-, pela internet e só nas grandes cidades. Não é preciso muito mais para concluir que os entrevistados não correspondem à população brasileira e que não é possível tirar conclusões daí.

Na sexta-feira retrasada, foi a vez de “Esporte” dar a boa notícia: “Torcedores aceitam jogadores gays”. Para dar uma aura de cientificidade, a reportagem citava que a pesquisa tinha sido publicada no “British Journal of Sociology”. Chique, mas não dá para acreditar em um estudo feito pela internet, anonimamente, com voluntários de 35 países (85% deles ingleses).

Mesmo quando a pesquisa é séria, o enfoque escolhido pelo jornal, muitas vezes, atrapalha. Na terça-feira passada, “Cotidiano” publicou que “74% são a favor de penas mais severas para estupradores”. “Foi uma abordagem banal, bombástica e que pautou vários outros meios de comunicação”, lamentou Nancy Cardia, coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP.

O objetivo da pesquisa -feita em 11 capitais, o que significa que não dá para generalizar para “brasileiros”- era descobrir o que vítimas da violência pensam sobre direitos humanos e a ação da polícia. Nada disso entrou na reportagem publicada nem no que saiu na Folha.com (“Quase metade dos brasileiros apoia tortura para obter provas”).

Um jornal que tem um renomado instituto de pesquisa funcionando no mesmo prédio deveria ter mais critério na seleção dos levantamentos que publica.

No mês passado, “Cotidiano” abriu página informando que “62% não podem comprar casa em São Paulo”, resultado obtido pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). “Parece brincadeira de 1º de abril”, notou o professor José Eustáquio Diniz Alves.

Pesquisa do Datafolha de 2008 mostrava que 62% dos paulistanos já moravam em casas próprias. O número do BID saiu de um exercício de cálculo: pegaram o imóvel mais barato em oferta e levantaram a porcentagem dos que gastariam mais de 30% de sua renda para pagar um financiamento de 20 anos.

Questionada, a Redação respondeu que a diferença é que “o BID não considera casas construídas pelos próprios moradores”. Entre um dado real (a maioria dos paulistanos não precisa pagar aluguel) e a esquisita conta estrangeira, a reportagem ficou com a segunda.

A verdade é que jornalistas, que têm por hábito duvidar de tudo, costumam engolir cifras acriticamente. Um check-list ajudaria muito:

1) Como é composta a amostra? Não se impressione com milhares de entrevistas, já que quantidade não garante representatividade;

2) Como foi aplicado o questionário? Desconfie do que for feito pela internet: é difícil saber quem responde e, no Brasil, boa parte da população não tem acesso à rede;

3) Quem pagou a pesquisa? Transparência sempre ajuda;

4) Os números são comparáveis? É preciso saber se as bases de dados são equivalentes;

5) Outras pesquisas corroboram os resultados obtidos agora? Duvide de dados surpreendentes.

Existe hoje pesquisa para tudo. Na internet, enquetes obtêm dezenas de milhares de respostas e ganham ares de verdade. Cabe ao jornalista filtrar. Como recomenda sabiamente o “New York Times”, “manter pesquisas malfeitas fora das páginas do jornal é tão importante quanto divulgar as boas”.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

20/08/2012 às 18:59

Publicado em Jornalismo Científico

17 Respostas para 'Exercício. Comentário sobre uso de pesquisas no noticiário'

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  1. Os métodos utilizados para fazer este tipo de matéria seja tanto na apuração ou seleção dos fatos ,não teve uma mediação crítica do próprio jornalista, pois não se posta uma pesquisa baseada em dados que você não tenha no mínimo pesquisado antes principalmente se for cientifica ,e é necessário que tenha pelo menos duas fontes confiaveis.Basta fazer uma checagem completa da pesquisa antes dxe publicar e não cair na armadilha de fazer materias atraves de pesquisas que não tenha uma avaliação perfeita.

    Camila Servo

    20/08/2012 em 20:28

  2. Suzana Singer tem total razão ao questionar dados, sejam eles feitos por instituições tradicionais, de alte credibilidade, sejam, principalmente, as de procedência duvidosa. A verdade absoluta é algo praticamente impossível de se encontrar, mas os fatores corroboram para que ela prevaleça. Quanto mais informações, maior o embasamento para transmitir informações.
    Especificamente sobre o texto de Suzana, é bom lembrar que seu conteúdo também não representa uma verdade inquestionável. Ela alerta para o problema do uso de informações, mas, de um modo ou de outro, pode falhar, como todos.

    christiano

    20/08/2012 em 20:32

  3. Os dados utilizados como referências em reportagens devem ser sempre selecionados com cuidado. Como a autora diz, muitas vezes a pesquisa pode não fazer referência ao público que se deseja atingir e, assim, a matéria perde credibilidade.

    Muito disso se deve à própria ignorância do jornalista sobre o tema que de sua matéria e até de falta de senso crítico, julgando se aquilo que o dado expõe é condizente com a realidade social, econômica e cultural do seu público alvo. Assim, ele deve procurar se informar, estudar o tema e procurar pesquisadores que lhe tragam boas informações de pesquisa científica. O método deve ser realmente científico, conflitando informações, falseando sua hipótese e procurando buscar um conceito lógico, conciso e inteligível.

    Cássio Leonardo Carrara

    20/08/2012 em 20:37

  4. Muitas vezes, reportagens baseadas em pesquisas não contestam os resultados apresentados. A função do jornalista durante a apuração é questionar os dados apresentados, não apenas reproduzi-los. Além disso, é preciso analisar a importância do fato para a sociedade, antes de noticia-lo.

    Felipe Turioni

    20/08/2012 em 20:47

  5. A matéria escrita pela jornalista Suzana Singer, expressa bem a falta de compromisso e responsabilidade de alguns veículos de comunicação para com o público. Como estamos aprendendo durante esses anos de graduação e agora no último ano com a matéria de jornalismo científico, ao escrever uma reportagem o jornalista precisa se comprometer com o seu público e também com suas fontes. É de suma importância questionar, argumentar e pesquisar com mais de uma fonte um determinado assunto, e não publicar a primeira informação que lhe é passada. O jornalista precisa desconfiar e ter curiosidade suficiente para não se contentar apenas com uma opinião.
    Principalmente nas matérias científicas, onde algo novo surge a cada minuto é preciso pesquisar o assunto com diferentes fontes, para que ideias contrárias possam ser analisadas.

    Mariana Lemes

    21/08/2012 em 10:44

  6. Quando o jornalista tem uma pauta para desenvolver na qual necessita de trazer uma matéria bem estrutura e com todos os segmentos ali propostos com problemas e soluções, deixando assim o leitor entendido sobre o assunto.
    Na maioria das vezes para dar credibilidade principalmente em assuntos que despedem um tempo maior para sua elaboração, nós atemos por exemplos aos grandes cientistas, pesquisadores, professores, doutores e etc. Em suma profissionais que possam engrandecer a matéria e explicar o “Porque disso”, nesta compilação de dados temos que também confrontar os dados com outras fontes.
    Infelizmente muitas vezes uma pesquisa é realizada por algum interesse seja ele para “ajudar” algo ou alguém ou ainda uma empresa que financia clandestinamente o estudo.
    Neste aspecto também podemos perceber que por vezes muitos jornalistas não conhecerem a fundo os métodos científicos são facilmente enganados com pesquisas que podem ser corretas, mas que no seu resultado estação priorizando um interesse.
    Num campo mais pratico é visto em anos eleitorais, isso por que as pesquisas têm até certo teor real, mas se você for analisar a fundo durante todo o processo eleitoral praticamente é feita as diversas pesquisas de intenção de voto com os mesmo eleitores, só neste ponto já existe algo estranho.
    Outro grande complicador de tais pesquisas é a falta de pesquisa de campo. Isso por que tenho certeza que pelo menos todas as pessoas que tem acesso à rede mundial de computadores, já respondeu duas ou mais ou questões aplicadas em redes sociais pesquisas em diversos portais ou mesmo através de e-mail, neste contexto aplicam uma fórmula e consideram que toda a população tem a mesma opinião sobre algo que divide a sociedade. Por exemplo, aborto, pena de morte, liberação de drogas e etc.
    Por fim toda vez que se utiliza de meios até então considerados de alta credibilidade e inquestionáveis para complementar melhorar e incrementar o seu trabalho, sempre tem que se ter também uma apuração dos dados não é apenas pegar o resultado publicar e dar a consideração.
    Lembrando que a função do jornalista e informar fatos, não impõe nada a ninguém, mesmo um assunto científico ou de qualquer gênero que se tenha comprovação do estudo e trabalho desenvolvido sabemos que a todo o momento pronto para ser interpretado de outra maneira por novas pessoas que analisem o mesmo assunto que utilizam outros métodos.
    Regra geral sempre procurar as melhores fontes, mas o importante e checar, checar e acima de tudo checar e concluir com total veracidade.

    Evandro Goulart

    22/08/2012 em 21:00

  7. Os jornais adotam critérios de seleção dos assuntos que serão transformados em notícias levando em conta, basicamente, a empatia com seus leitores, ou seja, os fatos que podem interferir em suas vidas ou que envolvam personagens com os quais eles possam se identificar. A visão é altamente empresarial e os jornais são encarados como produtos a serem comercializados, elaborados de forma a atender aos anseios dos consumidores, digo, leitores. A atuação da mídia parece, nesses casos, apenas criar polêmica, que de uma forma ou outra, beneficiem a comercialização do jornal. A novidade é que agora ocorre uma banalização do uso de resultado de pesquisas, elaboradas das formais mais questionáveis, mas, que de alguma forma, servem de base para uma informação nem sempre realista.

    Eugenio Bucci afirma que o jornalismo consiste em publicar o que os outros querem esconder, mas que o cidadão tem direito de saber. A notícia, para ele, seria toda informação capaz de afetar as expectativas de cada pessoa em relação ao mundo, tanto quando se discute o futuro, quando o passado.

    Outros conceitos, apresentados por Stanley Johnson e Julian Harris, e elencados por Mário Erbolato, simplificam mais o assunto: “Notícia é o relato de um fato que interessa aos leitores; é tudo quanto os leitores querem conhecer sobre um fato; qualquer coisa que muitas pessoas queiram ler é notícia”.

    O próprio Eugenio Bucci admite que a verdade dos fatos é sempre uma versão destes mesmos fatos. E que “a objetividade perfeita nunca é mais do que uma tentativa bem intencionada”. A verdade é sempre provisória, precária. Assim, para conquistar a credibilidade, a imprensa necessita de transparência em suas ações para tentar reduzir as incertezas provocadas por limitações.

    A questão da seleção daquilo que será considerado notícia vai além da relação estreita de consumo, no caso, consumo por informação, a ser oferecida pelos veículos de informação. Pereira Junior alerta que a seleção dos fatos determina a forma como uma realidade será apresentada ao leitor. “Querer descrever tais fatos, segundo ele, não passa de uma tentativa de representação, não de transcrição, já que há muitas ingerências e intromissões entre o acontecimento em si e o público leitor”.

    Nilton Hernandes, jornalista e doutor em semiótica pela USP, no livro “A mídia e seus truques” (Editora Contexto, 2006) também trabalha a questão da triagem dos acontecimentos, explicando tratar-se de uma tarefa que cabe aos jornais, responsáveis por, em sua opinião, contar grandes histórias que possam repercutir na vida dos leitores. Para o autor, o jornalista será sempre um mediador, reportando os acontecimentos do mundo para o seu público; ele “transforma fragmentos da realidade em notícia”, optando por determinado “gancho” – foco ou abordagem – como forma de hierarquizar as informações.

    O Manual de Redação de O Globo destaca dois critérios – interesse e impacto – como decisivos no tratamento dado à notícia. No primeiro caso, orienta o repórter a detalhar o texto jornalístico, com explicações amplas e exemplos numerosos sempre que a notícia afetar profundamente o dia-a-dia do leitor. Mais adiante, trabalha a questão do impacto da notícia, explicando que o enfoque a ser dado depende deste critério, avaliado segundo o número de pessoas afetadas pelo acontecimento. E exemplifica: “Se um anônimo morre num choque de carros, e o acidente provoca cinco horas de engarrafamento na Avenida Brasil, a notícia mais importante é o problema no trânsito. Pode não ser agradável reconhecê-lo, mas, em geral, a tragédia de um importa menos que o desconforto de mil”.

    Não entraremos aqui na discussão da edição do produto jornalístico, quando ocorre o fechamento das páginas, utilizando-se todo o material produzido durante o dia pelas respectivas equipes de reportagem, preparados pela ótica dos jornalistas que acompanharam os fatos. E nem mesmo sobre a apresentação visual, que valoriza ou destrói um bom texto jornalístico, como destaca Sylvia Moretzsohn: “Sua apresentação visual será fundamental. Isso porque, através das técnicas de redação, o jornalista consegue construir um texto considerado objetivo, pressuposto da profissão; e será na edição deste texto, na relação entre o texto e a imagem, que se apresentam as práticas discursivas mais subjetivas, capazes de revelar a verdadeira produção de sentido que se pretende passar ao leitor”.

    Luiz Costa Pereira Júnior, no livro “A apuração da notícia, métodos de investigação na imprensa”, descreve: “No jornalismo, construir sentido é reduzir incertezas. Cabe ao jornalista sedimentar uma realidade sólida para o público, sem enganá-lo com a falsa promessa de uma realidade ‘’real’’, pronta, acabada. Além de testar cada contradição entre fontes, até que a incongruência das versões seja descartada e reste somente uma versão em que se possa confiar. A apuração de informações, a investigação, é a espinha dorsal do trabalho jornalístico. O produto do trabalho é sempre uma combinatória, o ato de apurar e escrever na impressa envolve tanto a retórica quanto a ética e a técnica”.

    Pereira Junior acrescenta ainda: “A espinha dorsal do trabalho jornalístico é a investigação e apuração de informações, o que faz um relato impresso ser jornalismo, não literatura. Contudo, o processo é impreciso, pois envolve a retórica, a ética e a técnica, fazendo com que o produto do trabalho jornalístico seja sempre uma combinatória desses fatores”.

    A apuração é a redução das incertezas, “não cabe ao jornalista transferir dúvidas ao público. Ele tem de apurar cada contradição entre as fontes, até que a incongruência das versões seja descartada, e reste só um relato em que se possa confiar”, afirma o jornalista Ricardo Noblat, em “A arte de fazer um jornalismo diário”. Confrontar informações, até que elas cheguem a um denominador comum, esse é o difícil de se fazer durante uma apuração.

    “O uso das pesquisas no jornalismo impresso contemporâneo – Uma nova forma de contar a história”, dissertação de Mestrado de Alcides Garcia Júnior, relata logo no resumo do trabalho que “as pesquisas, quando publicadas na imprensa escrita, tornam-se instrumentos incontestáveis de análise de fatos econômicos, sociais, políticos e de opinião”, dando ao leitor condições para a formação da noção de realidade. Ainda segundo Garcia Júnior “as estatísticas tornaram-se uma das mais potentes ferramentas de análise das mais diversas relações nas sociedades contemporâneas. Chegamos a um ponto em que não podemos mais dispensá-las quando estudamos diferentes assuntos nos mais variados campos da ciência”.

    É certo que a estatística faz parte do nosso cotidiano e influencia nossa capacidade de posicionamento frente ao que nos é mostrado pelos meios de comunicação. A pesquisa deveria se impor como instrumento incontestável de análise de fatos da sociedade. Seria difícil compreender questões de vital importância sem o auxílio de índices que os mensurem. A nossa interpretação de real sofre forte influência das pesquisas e suas estatísticas.

    O problema do texto proposto para análise nesta atividade da disciplina de Jornalismo Científico, pelo professor Francisco Belda, poderia estar na vulgarização da ferramenta e a não obediência a nenhuma das regras para a sua segura realização, como é demonstrado pela ombudsman, jornalista Suzana Singer, ao afirmar que “um jornal que tem um renomado instituto de pesquisa funcionando no mesmo prédio deveria ter mais critério na seleção dos levantamentos que publica”. Acredito não ser o caso aqui de analisar se a pesquisa é barata ou não, sé feita por um método ou outro, se é quantitativa ou qualitativa, por um instituto ou outro.

    O que se coloca sob julgamento, portanto, não é a estatística, mas o uso que dela se faz. A pesquisa serve como base de argumentos, pois o dado estatístico é sempre um elemento argumentativo, e não a verdade real, com uso inevitavelmente orientado para a movimentação das mentes.

    Em seu blog “O xis da questão – mídia, jornalismo e atualidade”, o professor Manoel Carlos Chaparra, doutor em Ciência da Comunicação, descreve que “quando o noticiário se limita a reproduzir, sem questionamentos ou aferições, dados estatísticos oferecidos por fontes interessadas, ou o próprio jornalismo, por incompetência e/ou desonestidade, deturpa a significação dos dados, a sociedade é duplamente enganada. Porque, à falsa ou distorcida informação estatística, se agrega o aval da pressuposta credibilidade jornalística”. Segundo ele, o perigo não está nos números, “mas no seu uso. A estatística, em si, jamais promete verdades; apenas revela ou produz presunções (algo que pode ser acreditado), a partir de dados numéricos codificados a que o método chega, na observação de fenômenos de alguma forma mensuráveis”.

    Pesquisas e estatísticas são utilizadas em jornalismo para agregar diversos valores a informação, entre elas a noção de verdade em relação ao assunto abordado. A filósofa e professora da USP, Marilena Chauí, cita Christopher Lash, no livro “A Cultura do Narcisismo”, que afirma: “os ‘mass media’ tornaram irrelevantes as categorias de verdade e falsidade” e que (…) “para que algo seja aceito como real, basta que apareça como crível ou plausível, ou como oferecido por alguém confiável”. E Chauí reforça suas criticas, acusando os meios de comunicação de transformarem os acontecimentos, sejam eles quais forem, em entretenimento.

    O jornalista especialista em marketing político e propaganda eleitoral e mestrando em comunicação e semiótica, Diógenes Pasqualini, escreveu artigo para o site Lide Brasil (lidebrasil.com.br) reproduzindo uma frase lida na revista norte-americana “Time” ao chamar a atenção da importância das pesquisas de opinião na sociedade: “As pesquisas de opinião deveriam ser apresentadas ao público com mais advertências que nos maços de cigarro”. Pela força da metáfora é possível perceber os malefícios que a manipulação das pesquisas pode provocar na população.

    O que é descrito no texto da Ombusdman Suzana Singer, me leva a acreditar que a sociedade é enganada e manipulada, porque, junto a falsa ou distorcida informação jornalística, se soma a banalização da utilização de pesquisa nem sempre confiáveis, com assuntos escolhidos apenas criar polêmica ou entreter os leitores.

    Acredito que uma mudança na atuação da Imprensa depende, necessariamente, da adoção de critérios éticos, em que o cidadão possa prevalecer sobre o indivíduo.

    “A imprensa sempre acaba por impor a verdade da notícia no lugar da notícia da verdade”.
    Artur da Távola (Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros – advogado, jornalista, radialista, escritor, professor e político brasileiro)

    “Não existe opinião pública, existe opinião publicada”.
    Winston Churchill (primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial)

    Francisco de Assis Bergamim

    25/08/2012 em 19:27

  8. A questão é: Nem tudo que parece de fato é.

    Todo “bom” jornalista antes de publicar um assunto deve checar as fontes da melhor maneira possível. Averiguar se existe verdade no que vai estar sendo divulgado e publicado.

    Acredito que isso também é válido para temas que envolvam pesquisas científicas ou até mesmo outros tipos de pesquisas . Ai vem as perguntas: Baseado em que, quando, onde e qual o proposito, por exemplo,em que uma pesquisa foi divulgada? Tem fundamento?

    Mesmo que a fonte da pesquisa seja considerada confiável é necessário que o jornalista faça um check-list, como cita a autora do texto, o que ajudaria o profissional na hora de filtrar todas as informações antes de publica-lá.

    andreza palanca

    27/08/2012 em 15:49

  9. O texto de Suzana Singer mostra a realidade de muitos jornalistas que têm por hábito basearem-se em dados de apenas uma fonte de pesquisa e fazer uma matéria apenas com uma única fonte de pesquisa. Suzana Singer recomenda vários tópicos importantes que devem ser levados em conta ao divulgar uma pesquisa. Como por exemplo, não confiar totalmente em tudo que encontramos na internet e dados que sejam fora da realidade.

    Jessica Mendes

    27/08/2012 em 20:05

  10. O texto nos mostra que um bom jornalista deve apurar suas fonte e sempre contestar as informações, não acreditar em tudo, sempre ter uma segunda opinião sobre o fato, ou buscar mais profissionais da área abordada, principalmente no jornalismo científico, o texto também deixa claro que muitos profissionais fazem matérias superficiais e com dados da internet que nem sempre são verdadeiros, passando essa informação para seus leitores.

    Para uma boa matéria o jornalista tem que estar sempre pesquisando, questionando e argumentando, pois todos os dias existem coisas novas sobre todos os assunto.

    erica

    27/08/2012 em 23:53

  11. Checar dados antes de realizar uma matéria é importantíssimo para saber se a fonte é de confiança e se as informações são verdadeiras.
    A “verdade” é algo muito discutido, pois é impossível de encontrar a “realidade”, “verdade” absoluta.
    Esse texto traz o alerta para o problema e uso de informações incorretas usado muitas vezes por pessoas que nem sabem direito do assunto ou das informações que contém.
    É necessária muita atenção na utilização de dados usados como referências, pois a matéria pode perder credibilidade.
    As reportagens que são baseadas em enquetes, pesquisas não são às vezes de resultados confiáveis, depende muito de cada situação, veículo e até mesmo profissional. A função do jornalista é questionar, debater, apurar os fatos apresentados, antes de passar para o público. Manter ética sempre independente da situação.

    TAMIRIS MARCHI BUNHOLA

    28/08/2012 em 10:31

  12. A arte de escrever uma matéria e fazer um comentário tem que ser mais precisa em relação ao que vai publica e comentar a questão que Suzana Singer se baseou em uma única fonte. Por isso uma jornalista tem que checar as fontes para depois publicar a matéria com aptidão necessária.

    Francisléia Regina de Favere

    28/08/2012 em 11:40

  13. É necessário lembrar que na profissão chamada “jornalismo” todas as matérias sempre vão depende muito dos fatos, pesquisa,dados, entre outros fatores concretos para a notícia ser produzida de forma honesta e justa,essa constatação é facilmente vista no texto: Pesquisou,virou manchete de Suzana Singer.

    Lucas Zampieri

    28/08/2012 em 15:44

  14. É muito simples falar sobre os critérios de seleção, apuração e tratamento editorial relacionados ao uso de pesquisas como fonte de informação para o noticiário jornalístico. Basta saber interpretar qual a intenção da pesquisa, o que no Brasil não seria muito viável, já que a população adora responder isso, mas de forma anônima e inconsciente, superficial.Deve ser ter pesquisas no meio jornalístico, mas todo cuidado é pouco.

  15. A desconfiança de Suzana Singer reflete a mesma desconfiança de muitos sobre a credibilidade de dados publicados na mídia. O problema é que esses dados acabam influenciando a opinião do público, sendo que outros profissionais podem desenvolver trabalhos baseados nos dados errados, exagerados para mais ou para menos. Além disso, cria-se uma ideia do estado atual do país com base nos exageros, daí o Brasil vira país de bandido, de intolerância e pobreza, porém, ao mesmo tempo, é ícone em diversidade social, alegria, segurança, beleza e riqueza. Pois é, esses dados geram um paradoxo que basta refletir um pouco para percebê-lo. Infelizmente, nem todos farão como Suzana, a maioria se contenta e confia nesses dados, não dão a eles a devida importância, afinal, são capazes de mudar o rumo de uma eleição, do caráter de uma nação e, consequentemente, a vida do povo.

    Rodrigo Peronti Rodrigues

    03/09/2012 em 15:02

  16. Com base no que aprendemos no 1º semestre e naquilo que a jornalista Suzana Singer propôs neste texto, podemos entender que, a partir do momento em que há produção de conhecimento, é necessário justificar, validar e interpretar a informação para que essa apuração chegue o mais próximo possível da “verdade”. De que maneira fazer isso? Só o “o quê?, quem?, quando? e onde?” respondem? Não. Para produzir conhecimento (especialmente científico) os jornalistas precisam responder às questões “como? e por quê?” e isso requer mais de uma fonte e, de preferência, com documentação e dados comprobatórios. Mesmo assim, ainda pode haver falhas (como no caso da Folha de São Paulo, citado pela autora). Por esse motivo, o cuidado deve ser ainda maior quando tratamos de temas que desconhecemos ou então achamos que, por vir de uma corporação que têm toda a credibilidade do mundo, não apresentará erros. A busca por diversos “contrapontos” é, na minha opinião, a maneira mais inteligente de saber (ou pelo menos acreditar) quando algo é verdadeiro ou quando algo é falso.

    Laís Françoso

    20/09/2012 em 17:19

  17. Etnocentrismo: termo usado para exemplificar a visão de um indivíduo em relação a determinado conceito ou idéia diferente a seu cotidiano ou bagagem cultural.

    É necessário enxergar diversos pontos possíveis neste processo pelo qual determinado profissional reproduz informações sobre algo que desconhece, tanto pelo lado de não possuir qualquer vínculo ou conhecimento da realidade onde estão inseridos os indivíduos e meios que cita em seu trabalho ou pelo simples fato de não ter tempo hábil ou recursos para chegar aos meios ideais para reconhecimento.

    Nas duas possibilidades enxergamos deficiências no meio como são produzidos nossos conteúdos informativos, possuindo apenas indivíduos realizadores de tarefas, sem senso crítico e sobrecarregados pelas exigências de mercado.

    Nícolas Bertate

    26/11/2012 em 21:01

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