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Francisco Rolfsen Belda

Exercício de formulação de questões

com 4 comentários

Leia a notícia a seguir, publicada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” em sua editoria de Ciência, na internet, em 27/8/2012. A seguir, formule ao menos três questões a serem hipoteticamente endereçadas aos pesquisadores envolvidos no estudo relatado. Publique suas questões como comentário neste post.

Eletrodo desenvolvido no Brasil reduz custo de exame da retina

Exame permite avaliar respostas elétricas da retina a estímulos luminosos e ajuda no diagnóstico de doenças oculares

Atualmente, Brasil importa eletrodos, que são descartáveis - Reprodução
Reprodução
Atualmente, Brasil importa eletrodos, que são descartáveis

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desenvolveram a versão nacional de um eletrodo usado na eletrorretinografia (ERG), exame que permite avaliar respostas elétricas da retina a estímulos luminosos e ajuda no diagnóstico de doenças oculares.

Os resultados do trabalho foram apresentados durante a 27ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), realizada em Águas de Lindoia entre os dias 22 e 25 de agosto.

“O Brasil atualmente importa esses eletrodos, que são descartáveis e custam entre US$ 30 e US$ 40 cada. Desenvolvemos um produto similar, mas com preço quatro vezes menor”, contou Adriana Berezovsky, coordenadora da pesquisa financiada pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

O eletrodo tem cerca de 3 centímetros e, como a versão importada, é feito de fibra de tecido com um filamento de prata. Durante a realização do exame, é introduzido no saco conjuntival da pálpebra inferior e permite captar os sinais elétricos emitidos pelas células da retina em resposta aos estímulos luminosos disparados pelo aparelho de ERG.

“Não há necessidade de anestesia. O paciente sente apenas um leve incômodo durante a colocação”, afirmou Berezovsky.

A retina humana possui dois tipos de fotorreceptores, que são células responsáveis por captar a luz e retransmitir o impulso elétrico para outras células e para o nervo óptico.

“Os bastonetes são responsáveis pela visão noturna e os cones, pela diurna. Mas algumas doenças causam a morte dessas células. Isso pode levar, por exemplo, à cegueira noturna ou à perda de visão periférica”, explicou a pesquisadora.

O ERG permite avaliar o funcionamento dos cones e dos bastonetes e, segundo Berezovsky, pode ajudar o oftalmologista a identificar problemas que, muitas vezes, precedem alterações perceptíveis no exame de fundo de olho, no qual o médico visualiza as estruturas que formam a retina.

Validação

Os pesquisadores testaram o eletrodo nacional em um grupo de 50 voluntários saudáveis e compararam os resultados com o de exames feitos com o equivalente importado. O desempenho de ambos foi similar. Os dados foram publicados nos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, em 2008.

No ano seguinte, com auxílio da FAPESP por meio do Programa de Apoio à Propriedade Intelectual (PAPI/Nuplitec), a equipe entrou com pedido para patentear o eletrodo, que ainda está pendente.

Desde então, os pesquisadores têm comparado o desempenho da versão nacional e da importada em voluntários com doenças na retina. “Já testamos em cerca de 50 pacientes e tivemos bons resultados, mas ainda precisamos ampliar a amostra”, disse Berezovsky.

Os estudos têm sido feitos com doenças hereditárias como retinose pigmentária, distrofia de cones e doença de Stargardt. Os resultados preliminares foram apresentados no congresso da Association for Research in Vision and Ophthalmology (ARVO), o mais importante da área.

O eletrodo também tem sido testado para uso veterinário. O funcionamento da versão nacional foi comparado com o da versão importada em dez cães saudáveis da raça yorkshire terrier, com resultados parecidos.

“Os dados já foram submetidos para publicação em revista internacional. Agora pretendemos testar o eletrodo em cães com doenças na retina”, disse Berezovsky.

A equipe pretende também aperfeiçoar o modelo desenvolvido no Brasil. “Estamos estudando o tamanho e o material, para melhor adequar o eletrodo às necessidades do país”, disse.

Veja também:
link Hábitos de vida ruins e aglomerações podem prejudicar visão
link Retina eletrônica devolve parte da visão a dois pacientes cegos

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

03/09/2012 às 10:48

Publicado em Jornalismo Científico

4 Respostas para 'Exercício de formulação de questões'

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  1. Esse eletrodo se utilizado como “arma” para esse exame de retina é perceptível no ato de sua realização todas as doenças do olho ou ainda é necessários exames complementares?

    Houve alguma diferença na eficácia do eletrodo, nós voluntários quanto a quanto à raça, sexo ou idade, ou consegue-se estabelecer eficácia igualitária a todos?

    Quanto aos cães como e por que foi estabelecido a raça yorkshire terrier para fazer parte do teste? Ela tem algo de diferente das demais raças?

    Sendo nacional por que esse registro demora tanto para sair se é comprovada a benéfica do eletrodo além do baixo custo? O SUS atenderia seus pacientes com este modelo novo de exame ou seria considerado exames de alta complexibilidade que são mais difíceis de serem aceitos pela rede publica?

    Evandro Goulart

    08/09/2012 em 15:24

  2. 1) O que torna o produto similar mais barato, já que é feito, como a versão importada, de fibra de tecido com um filamento de prata?
    2) Quanto tempo demora para fazer o exame e para que ele fique pronto?
    3) Qual é a chance (em porcentagem) de o resultado evitar complicações e poder dar início ao tratamento das doenças?
    4) Porque foi escolhido um grupo de 50 pessoas para fazer o teste?
    5) Qual a expectativa dos pesquisadores com a apresentação do trabalho em congressos internacionais e publicação em veículos especializados?

    OBS: as doenças hereditárias do tipo retinose pigmentária, distrofia de cones e doença de Stargardt poderiam ter sido melhor explicadas no texto.

    Laís Françoso

    20/09/2012 em 18:02

  3. 1- Porque os estudos têm sido feitos somente com doenças hereditárias como retinose pigmentária, distrofia de cones e doença de Stargardt? Existe uma explicação concreta para a restrição do estudo?

    2- Qual a faixa etária das pessoas envolvidas nos estudos? Crianças também estão inseridas?

    3- Porque a raça yorkshire terrier foi a escolhida para os estudos?

    andreza palanca

    24/09/2012 em 12:01

  4. 1 – Há interesse neste modelo nacional por parte de alguma Instituição ou Indústria para produção em larga escala?

    2 – Há alguma característica nesta raça de cães especificamente que favoreça ou a diferencie das demais neste processo de pesquisa?

    3 – Este modelo de teste e exame também beneficiaria paciente com doenças que não sejam de gênero hereditário?

    Nícolas Bertate

    26/11/2012 em 20:32

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