teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

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Enquanto, em Araraquara, o Ministério Público e a Prefeitura discutem a regularidade da compra, por R$ 1,5 milhão, de 48 lousas digitais para escolas municipais, nos Estados Unidos (onde mais?), pais, educadores e gestores travam há mais de dez anos um debate acalorado sobre a regulamentação da publicidade em sala de aula em troca de mais recursos para o financiamento do ensino público.

O assunto é espinhoso. Se, por um lado, expõe crianças e adolescentes a um tipo especialmente invasivo de propaganda, há quem argumente ser essa uma forma válida de custear equipamentos e serviços de informática, ou mesmo complementar o salário de professores, sem onerar ainda mais os cofres públicos. Em troca, a empresa patrocinadora ganha o direito de exibir sua marca nas telas dos computadores, inserir vinhetas comerciais em vídeos e softwares educativos, fixar posters de anúncios em sala de aula, entre uma infinidade de outros formatos.

Imagine você, leitor, um livro didático que enunciasse assim um problema de matemática. “As bolachas Kroc com sabor morango e chocolate têm 4,5 cm de diâmetro. Calcule o raio e a circunferência da bolacha.” Estranho? Pois há vários exemplos reais como este em escolas norte-americanas, com referência a refrigerantes, cereais, pastas de dente e outros produtos que despertam o desejo da molecada.

No Brasil, a moda ainda não pegou. E eu, pessoalmente, sou contra. Mas, diante de tanta carência nas escolas e da escassez de recursos, alguém aí poderia até pensar: “pagando (e regulando) bem, que mal tem?”

 

(Texto publicado no jornal Tribuna Impressa, p.5, 08/09/2011) 

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

08/09/2011 às 19:18

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