teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

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Se você, assim como eu, pensou que havia se tornado mais produtivo e eficiente no trabalho munido de um celular que entrega emails instantaneamente e fica sempre conectado à internet, saiba que estamos, provavelmente, perdendo tempo. É o que indica uma pesquisa da Universidade da Califórnia em Irvine. O resultado mostra que profissionais que checam e respondem emails constantemente se estressam mais e produzem menos.

Essa conclusão pode não ser o suficiente para desbancar o reinado dos Blackberrys entre executivos. Nem evitar que funcionários mantenham suas janelas de Outlook, Gmail, Hotmail e outras caixas de entradas sempre abertas, alternando-as com telas de trabalho até 37 vezes por hora, uma vez a cada 97 segundos, só para ver se tem alguém chamando.

Não que seja por mal. Muitos profissionais procuram, assim, apenas manterem-se disponíveis para ajudar colegas, chefes e clientes. Mas é mesmo provável que o frenesi de mails, messages, chats, scraps, twits, comments e, agora, até “cutucadas” via Facebook esteja mesmo levando muita gente a trabalhar mais e resolver menos, ou a criar, no fim do dia, mais problema do que solução.

Na rotina de uma empresa, ou no pensamento de alguns colegas, passar o dia de prontidão na caixa postal eletrônica respondendo ou distribuindo mensagens em sequência pode indicar, até, que você não tem nada melhor a fazer, ou que esteja invertendo prioridades, ou simplesmente preocupando-se com elas mais intensamente, porém menos atentamente do que deveria.

A coordenadora do estudo norte-americano, Gloria Marks, recomenda reservar apenas um ou dois momentos do dia para ver e escrever emails. Estou com vontade de experimentar. Se isso fizer de mim um profissional mais focado, mais produtivo e mais feliz, até meus chefes irão gostar, e posso pensar, quiçá, em ir reduzindo a frequência. Uma ou duas vezes por semana, depois por mês, depois por ano. Se for urgente, me chame ao telefone. Se não for, mande uma carta.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

10/05/2012 às 20:24

Publicado em Coluna

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