teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Meu mendigo preferido

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Estivessem vivos, Sabugo e Pemba, dois saudosos mendigos araraquarenses, poderiam se candidatar a um novo tipo de site de compras coletivas que está dando o que falar na internet.

O “Mendigo Urbano” divulga perfis de moradores de rua com o objetivo de sensibilizar grupos de internautas a contribuirem para a compra de um “kit mendigo”, no valor de R$ 250. Você escolhe seu mendigo preferido e doa o quanto quiser. Fechada a compra, ele ganha o valor do kit revertido em cesta básica, roupas e corte de cabelo.

Três já receberam. Maurício, um rapaz que “sonha com tudo aquilo que poderia ter sido diferente”, Bira, que tem “uma voz surpreendente e personalidade cativante”, e Seco, “defensor da honra dos moradores de rua”, conforme os perfis apresentados no site. Outros dois ainda esperam a mesma sorte. Existe até um “ranking de investidores” destacando os internautas mais solidários.

A iniciativa é de dois estudantes de Novo Hamburgo (RS) e não tem fins lucrativos. Em um mês, já rendeu dezenas de reportagens e centenas de comentários em sites, blogs e redes sociais. A maioria apoia seu sentido de “conscientização”, “solidariedade” e “visibilidade social”. Mas há quem desaprove, acusando a transformação de “seres humanos em mercadoria” e a “exploração pejorativa” da miséria alheia.

Apesar do alcance limitado, a ideia me pareceu tão legítima quanto curiosa. Detalhe: o “Mendigo Urbano” já foi “curtido” por mais de 5 mil pessoas no Facebook, contra 1.073 do Plano Brasil sem Miséria, hoje a menina dos olhos da presidente Dilma.

(Texto publicado no jornal Tribuna Impressa em 15/09/2011)

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

16/09/2011 às 18:42

Publicado em Coluna

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