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Francisco Rolfsen Belda

O dinheiro que vem da cueca

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O movimento de expansão anunciado pela Lupo (com injeção de R$ 30 milhões para ampliação da fábrica e contratação de 400 funcionários), apesar de previsto, é sempre uma boa nova para a cidade. Aumenta-se a oferta de empregos, mobilizam-se fornecedores, demandam-se novos serviços, recolhem-se mais impostos e, assim, movem-se as molas da economia local. 
Interessante, porém, e não menos importante nessa história, é que o crescimento da Lupo não decorre de um cenário econômico supostamente favorável vivido no país. O bom resultado dessa indústria araraquarense está na contramão da tendência do setor têxtil nacional, que, no ano passado, teve sua produção reduzida em 15% e fechou 12 mil postos de trabalho, como mostrou reportagem publicada pela “Folha de S. Paulo” no domingo (18/03, p.B11).
Na cidade de Americana, maior polo têxtil da América Latina, há empresários que falam até em risco de “desaparecimento” do setor, enfraquecido pela carga tributária e pela concorrência dos asiáticos. Em sete anos, as importações de fios, tecelagens e vestuários cresceram 423%. Provocado, o Ministério do Desenvolvimento admite estudar a necessidade de salvaguardas para proteger essa indústria no país, que teve déficit comercial de 4,8 bilhões de dólares em 2011.
Como, então, explicar o crescimento da Lupo nesse contexto?
Parte da resposta está na “ousadia e alegria” com que a empresa tem conduzido sua estratégia de marketing. Produtos diferentes, cores chamativas, lojas próprias, mershandising em novela da Globo e patrocínios milionários no futebol, incluindo linhas de cuecas com o garoto-propaganda Neymar, que puxam a alta nas vendas. Branding, como se diz.
Eu, pessoalmente, não gosto de fazer propaganda. E também não gosto do Neymar. Mas tenho que admitir: eles estão jogando um bolão.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

22/03/2012 às 23:37

Publicado em Coluna

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