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Francisco Rolfsen Belda

O que a Facira quer ser

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Descontado o aguaceiro que caiu no fim de semana, grande parte do insucesso da Facira parece reflexo de uma crise de identidade. Fora do discurso institucional, não há consenso sobre o que, afinal, a principal feira de Araraquara deve ser. O nome oficial indica uma vocação “agrocomercial e industrial”. A programação cultural aponta para o entretenimento popular, com brinquedos e shows de pagode e música sertaneja. E há o perfil beneficente, com reversão de recursos a entidades filantrópicas por meio de doações e serviços de alimentação.

Vale lembrar que o “agro” do tripé que dá nome à Facira já havia sido em grande parte perdido com o fim das exposições de animais — cá entre nós, nunca foi mesmo muito legal comer sukiaki em meio ao cheiro de estábulo naqueles pavilhões. Pelo que se viu agora, nem mesmo os negócios comerciais e industriais parecem capazes de sustentar o evento. Os fatos falam por si: dos 100 mil visitantes esperados na exposição, menos de 20 mil deram as caras por lá, e os organizadores falam até em ressarcir prejuízos.

Para os próximos anos, há a expectativa de inauguração de um novo e moderno complexo de eventos nos pavilhões do Cear, que, por enquanto, ainda carecem de estrutura mínima para receber visitantes, como mostram as fotos de estandes e passarelas alagadas. Obras e investimentos, porém, não bastam para inserir a principal feira de negócios da cidade no circuito de grandes eventos e exposições.

Ribeirão já consolidou sua feira de agronegócio. A festa do peão de Barretos é puro entretenimento. Sertãozinho promove a indústria da cana-de-açúcar. Ibitinga faz a feira do bordado. São Carlos manteve por 20 anos sua feira de alta tecnologia. Araçatuba tem exposição e leilão de gado de corte. Batatais tem a festa do leite. Taubaté, a festa do folclore. Valinhos, a festa do figo. Louveira, a festa da uva. Não se trata de comparar. Mas é preciso definir, urgentemente, o que a Facira quer ser.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

20/10/2011 às 15:34

Publicado em Coluna

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