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Francisco Rolfsen Belda

O que fazer dentro da nuvem

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A vida cotidiana entre chips, sensores, câmeras e zilhões de bits de informação

Em 2029, Araraquara será muito mais do que uma cidade digital. Infovias, internet para todos e órgãos públicos interconectados são apenas o primeiro passo. No futuro, cada araraquarense será, ele próprio, um provedor de acesso à rede. Seremos antenas ambulantes, enviando e recebendo sinais, imersos em uma atmosfera carregada com nuvens de informação.

Para exibi-las, usaremos dispositivos que ainda nem se imagina. Telas portáteis devem dar lugar a imagens projetadas no ar e controladas por voz, tato ou pelo simples movimento do olhar. Chips e sensores estarão acoplados a utensílios diários dos mais triviais, como roupas e acessórios. E a força mecânica de nossos passos poderá ser usada para recarregar baterias.

Para isso, você não precisará se preocupar com instalação e configuração de software. Os programas estarão disponíveis na rede e se adaptarão a qualquer tipo de uso. Provavelmente, você tampouco precisará comprar hardware. Ele será dado em troca de sua fidelidade a um serviço qualquer. Ou montado com peças genéricas, pelo seu sobrinho, na garagem.

Cada torcedor da Ferroviária poderá transmitir ao vivo, das arquibancadas da Arena da Fonte, seu vídeo particular com gols, lances e comentários sobre a partida. Os melhores colecionarão seguidores e liderarão comunidades de relacionamento. Os mais fanáticos poderão simular lances geniais, alterando parâmetros de força, direção, trajetória e velocidade da bola.

Você não mais irá colecionar livros, discos e filmes nas prateleiras e estantes de casa. Eles estarão disponíveis para download instantâneo, com conteúdos extras, atualizações e informações adicionadas por usuários do mundo todo. Produzir seus próprios livros, discos e filmes também será mais fácil. Mas ganhar dinheiro com eles, provavelmente, será mais difícil.

Sua geladeira e o armário de despensa irão perceber quando o estoque de leite estiver no fim. Enviarão alerta com uma mensagem sugerindo marcas, preços e lojas próximas onde comprar. Bastará um clique e, em alguns minutos, o produto será entregue em sua casa. Os mais organizados poderão prever e automatizar as compras do mês. E, claro, conferir os débitos lançados na conta bancária.

Em vez de ir ao supermercado, você poderá caminhar pelo Parque dos Trilhos enquanto conversa em tempo real com a projeção audiovisual de um amigo distante. Sensores instalados no asfalto da Via Expressa controlarão a velocidade e satélites guiarão o percurso dos automóveis, enquanto motoristas leem as manchetes e veem fotos do dia no para-brisa do veículo. Só será exibida publicidade que você queira ver.

Mas o ano 2029 ainda está longe. E é provável que tudo isso nem demore tanto tempo assim. Já há protótipos e experiências reais sobre cada uma das tecnologias e situações descritas aqui. Para os cientistas da computação, o céu não é o limite. Falam até de uma internet interplanetária, conectando-nos a Marte, por exemplo. Se houver ETs, o bate-papo estará garantido.

Por enquanto, ainda resta fazer a lição de casa. E 20 anos pode ser pouco tempo para se planejar e implantar as tantas mudanças necessárias para a atualização dos nossos serviços básicos de educação, saúde e administração pública. Para as novas gerações, criadas em meio a sites, games, blogs, twitters e scraps, a inclusão digital será natural. O que fazer dentro da nuvem é que são outros quinhentos.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

08/09/2009 às 16:50

Publicado em Artigo

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