teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Projeto de pesquisa: Imprensa paulista, planejamento editorial e impacto das mídias digitais

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Título: Imprensa paulista 2003-2012: o impacto das mídias digitais

Resumo: O projeto busca avaliar o comportamento gráfico-editorial de quatro jornais impressos paulistas nos últimos dez anos e discutir suas estratégias de aproximação e/ou diferenciação em relação aos produtos jornalísticos digitais, com foco na imprensa de médio porte. Trabalha-se com a hipótese  de que, no caso do jornal impresso diário, as principais alternativas para fazer frente à concorrência digital são a reestruturação dos cadernos e do conteúdo – de modo a privilegiar ou eliminar determinados gêneros jornalísticos –,  modificações na tipografia e composição visual das páginas e hierarquização dos diversos elementos gráficos.

[Projeto de pesquisa apresentado como requisito parcial para prova de títulos do concurso para o cargo de professor assistente na disciplina Planejamento Gráfico-Editorial em Jornalismo I, II e III (Edital n.10/2012 – STDARH/FAAC)]

 

1. Introdução

A história do jornal impresso, o mais antigo suporte jornalístico moderno, é marcada pelo aparecimento de novos meios de comunicação interpessoal ou massiva – telégrafo, telefone, rádio, televisão – que impulsionam renovações em sua linguagem e seu reposicionamento no atlas midiático. Enquanto os dois primeiros, favorecidos pela domesticação da eletricidade, promoveram significativas contribuições instrumentais na obtenção de informações e mesmo no código verbal jornalístico, favorecendo a criação da técnica do lead (BRIGGS & BURKE, 2006; SILVA, 1990), os dois meios eletrônicos ofereceram concorrência direta ao jornal e, especialmente no caso da televisão, obrigaram-no a reestruturar seu código verbal e imagético para que se evitasse sua extinção.

Desde a popularização da internet em meados nos anos 1990 e o surgimento de portais de conteúdo, o suporte digital introduziu novos paradigmas comunicacionais que oferecem concorrência suficiente para se falar em uma nova crise dos jornais, contra a qual as empresas de comunicação ainda tateiam saídas de modo a manter rentável o modelo dos veículos impressos. Significativo foi o caso do Jornal do Brasil – notório pela introdução de inovações na imprensa brasileira, foi o primeiro a assinar o conteúdo de agências de notícias internacionais, em 1906, e a introduzir o uso do lead em meados do século XX; em setembro de 2010, abandonou o suporte  impresso e passou a circular exclusivamente na internet, exemplo por hora não seguido por nenhum outro dos grandes títulos da imprensa nacional.

A primeira crise intensa do meio impresso, semelhante em alguns aspectos à nova, deu-se entre o final da década de 1960 e o início da seguinte. Frente a uma acentuada queda na venda de diários impressos nos Estados Unidos, a Associação Norte-Americana de Jornais encabeçou o Projeto Leitura, chefiado por Ruth Clark, vice-presidente de mídia da empresa de consultoria Yankelovich, Skelley e White, no intuito de, por meio de consulta ao público leitor, compreender o porquê do abandono do jornal (TEIXEIRA, 2011; SAVIANI REY, 2009). Os resultados apontaram que o convívio de 20 anos da população com o televisor, que começava a se popularizar no início dos anos 1950, acabou por criar uma cultura imagética de consumo de informação, a cujas demandas o jornal da época, monocromático, com textos densos e baixo uso de recursos gráficos, não correspondia mais.

A situação foi contornada por meio de duas estratégias. Buscando até certo ponto emular a interface da televisão, os jornais passaram a ser impressos em quatro cores – processo custoso, até então exclusividade e um dos diferenciais das revistas informativas –, a utilizar textos mais curtos, com linguagem menos rebuscada, e introduziram recursos visuais até hoje presentes, como boxes explicativos e infográficos que permitiam apresentar de forma sucinta, de certo modo didática, flutuações financeiras, movimentações de tropas em regiões de conflito e processos científicos complexos. Lançado em 1982, o diário USA Today, primeiro impresso a cobrir e circular por todo o território dos Estados Unidos, teve seu projeto gráfico e editorial baseado nos relatórios do Projeto Leitura; no mesmo ano, a Folha de S. Paulo trouxe ao Brasil as inovações e, entre 1988 e 1994, deu início, nacionalmente, a um segundo movimento de resposta dos jornais à concorrência televisiva – dessa vez, buscando uma diferenciação no conteúdo, ao reforçar a segmentação do público para temas específicos identificados com destaque (Ciência, Cultura, Informática, Política, Esportes), e criar cadernos regionais de circulação também diária (SILVA, 2007). Da mesma forma, entre os anos 1960 e 1980 o rádio teve de se tornar portátil e remodelar o formato de sua programação para sobreviver (FERRARETTO, 2007). Desse modo, criou-se um novo código verbo-visual para caracterizar a linguagem dos veículos impressos e, em vez de uma substituição pela televisão, chegou-se a um estado de convivência entre os suportes.

Tão logo a situação econômica dos jornais estabilizou-se, o cenário foi balançado pela popularização da internet no início da década de 1990 e o surgimento de websites e portais de conteúdo informativo online, disponíveis gratuitamente. Conforme o meio digital deixou de trazer apenas textos e imagens estáticas, com o aprimoramento dos recursos de programação e ampliação das bandas de conexão, incorporando a veiculação de conteúdo sonoro e audiovisual, no que se convencionou chamar de convergência midiática, possibilitando a combinação de gêneros textuais, visuais, audiofônicos e audiovisuais em um único suporte, a rede passou a oferecer concorrência a todos os demais meios de comunicação social. Caracterizada pela agilidade na renovação de sua linguagem, torna-se cada vez mais difícil aos jornais, emissoras de televisão e rádio se adaptarem às mudanças numa velocidade correspondente. Se nos anos 1990 o diferencial da “revolução digital” se dava pela não-linearidade de sua navegação e atualização das informações em tempo real, nos anos 2000, com o advento das mídias sociais, o consumidor se tornou também produtor e reprodutor de informações – em blogs, podcasts, videocasts, enciclopédias colaborativas, redes sociais etc. –; ao final da década, com a introdução de dispositivos móveis – smartphones, e-readers e, a partir de 2010, tablets –, a comunicação digital se portabiliza e torna-se ubíqua, acessível de qualquer lugar desde que haja redes wi-fi disponíveis ou recursos financeiros mínimos para custear um plano de dados por rede GSM.

 

Com esse cenário em vista, o presente projeto apresenta uma proposta de investigação focada em avaliar o comportamento gráfico-editorial de quatro jornais impressos paulistas nos últimos dez anos e discutir suas estratégias de aproximação e/ou diferenciação em relação aos produtos jornalísticos digitais, com foco na imprensa de médio porte. Trabalhamos com a hipótese  de que, no caso do jornal impresso diário, as principais alternativas para fazer frente à concorrência digital são a reestruturação dos cadernos e do conteúdo – de modo a privilegiar ou eliminar determinados gêneros jornalísticos –,  modificações na tipografia e composição visual das páginas e hierarquização dos diversos elementos gráficos – fotografias, infográficos, boxes etc. Selecionamos três jornais diários do interior do estado – A Cidade (Ribeirão Preto), Jornal da Cidade (Bauru) e Tribuna Impressa (Araraquara) – e um dos veículos de maior expressão nacional, O Estado de S. Paulo, cujos dados servirão como referência das estratégias da grande imprensa, o que nos permitirá estabelecer um contraste entre os dois nichos e identificar graus de sucesso das alterações textuais e imagéticas promovidas em relação ao retorno esperado por cada ação.

 

2. Fundamentação teórica

 

Como se detalhará mais à frente, a pesquisa empreenderá análises de conteúdo, composição visual e entrevistas com editores e gestores dos quatro veículos selecionados. A preparação das entrevistas, assim como a interpretação e discussão dos dados recolhidos, será baseada em bibliografia focada em design gráfico, digitalização das mídias, economia política da comunicação, teorias do jornalismo e história da imprensa.

Apoiaremo-nos numa percepção interacionista de jornalismo, segundo a qual “as notícias são o resultado de um processo de produção, definido como a percepção, seleção e transformação de uma matéria-prima (os acontecimentos) num produto (as notícias)” (TRAQUINA, 2005a, p.180). A construção dos fatos jornalísticos estaria, sob esse ponto de vista, condicionada à estrutura econômica, cognitiva e temporal do suporte e do veículo a que estão ligados – assim como aos valores-notícia, critérios que definem a relevância jornalística de um acontecimento (TRAQUINA, 2005b) – intimamente ligados aos pressupostos do modelo jornalístico a que pertencem.

Embora o estudo proposto não se caracterize de newsmaking, por não ter como objeto o desvelamento do processo editorial que implicará no teor das notícias com foco em casos específicos, mas em vez disso uma perspectiva geral que detecte os movimentos editoriais dos veículos em dez anos de publicação, será essencial levar em conta um dos aspectos fundamentais dos principais critérios de noticiabilidade que orientam o exercício do jornalismo (TRAQUINA, 2005a; WOLF, 2006): a relevância da informação para o público. Para Traquina (2005b), em meados da década de 2000 a compreensão geral desse princípio fazia com que seus valores-notícia se orientassem para o inédito e imediato, privilegiando a notícia sobre a reportagem de maior extensão. A reação à demanda do público, porém, deve levar a um reajuste dessa lógica.

Conforme aponta Picard (2005), a adoção de um novo tipo de produto ou suporte comunicacional pelo consumidor pode ser graficamente descrita por uma curva com embocadura para baixo, na qual há um longo período inicial de baixa adesão, acompanhado na sequência de um crescimento vertiginoso na demanda, e por fim numa estabilização da entrada em massa de novos usuários, com uma porção igual de “adeptos tardios” a seguir; os três últimos estágios se concretizam não apenas em decorrência do transcorrer de determinado tempo, mas da consolidação de uma linguagem e determinados serviços que ganhem a confiança do público, quando o novo suporte mostra-se vantajoso em relação aos demais. Exemplo disso é que o primeiro hype em torno dos e-books, no biênio 2000-2001, foi visto como fracassado por conta do baixo número de consumidores para a nova plataforma (THOMPSON, 2005), devido em parte ao hardware para leitura dos textos (desktops e laptops) quanto ao capital simbólico do livro impresso e à reputação das editoras no segmento, uma “grife” que só começa a reestruturar seus valores ao final da década, quando já há e-readers portáteis que proporcionam uma experiência de leitura confortável.

No caso da internet, especialmente em termos de consumo de informação, o primeiro período de estabilidade corresponderá à segunda metade da década de 2000 em diante, quando consolidam-se redes sociais e, no caso do brasil, “grifes” do meio televisivo (portais G1 e R7). Nesse período, como mencionado anteriormente, instaurou-se uma nova cultura com relação à informação, na qual o consumidor não é mais um receptor passivo, mas um comentador e criador de seus próprios conteúdos, com os quais outros usuários interagem (PICARD, 2005).

A necessidade de compreensão efetiva daquilo de que consiste o ecossistema digital será fundamental para que as empresas de outros suportes desenvolvam uma resposta, caso pretendam sobreviver e manter sua lucratividade. A noção de que a geração atual de leitores demandaria textos mais curtos e sucintos, de rápida leitura, orientou o lançamento, em agosto de 2007, da Revista da Semana, pela Editora Abril, com paginação dominada por amplos espaços em branco e imagens, além da divisão do conteúdo em duas colunas (“Fatos” e “Opiniões”) que resumiam acontecimentos de grande repercussão em cada semana. A publicação foi cancelada pouco menos de dois anos depois, em junho de 2009; dentre as razões para o mau desempenho podemos apontar a oferta de um conteúdo inferior ao disponível, gratuitamente, na internet, em termos de aprofundamento e quantidade de dados – oposta, por exemplo, a estratégia de reintrodução das reportagens em profundidade ou interpretativas em outras publicações, surgidas no mesmo período – piauí, Brasileiros – que se mantêm em circulação até o momento, e em jornais de grande circulação – O Estado de S. Paulo, Zero Hora, Correio Braziliense (FALASCHI, 2005; MEDINA, 2008).

Nesse sentido, compreende-se também como estratégia a migração – parcial ou total – para o meio digital e o diálogo entre os produtos em vários suportes, não apenas como exigência de um procesos de convergência em amadurecimento, mas pelo fato de haver uma “cultura de conteúdos” na qual um texto, imagem ou filme não está mais ligado a um suporte específico (THOMPSON, 2005), podendo ser transferido e compartilhado – inclusive pelo consumidor – para uma ou mais plataformas. Ao mesmo tempo, a teoria de “cauda longa” de Anderson (2006) aponta para uma tendência à segmentação, ao foco em nichos de mercado específicos, gerando uma variada gama produtos que não geram grandes lucros individualmente, mas pela soma de pequenos dividendos, algo antes inviabilizado pelos altos custos de distribuição; essa lógica, de alguma forma, deve também influenciar o jornal impresso, o qual com raras exceções – o diário Lance!, focado em cobertura esportiva – tem como alvo um público amplo e diverso.

A situação dialoga com aquela exposta na introdução: se há uma mudança na oferta e na forma de consumo de informação em suporte digital, a resposta do meio impresso deverá incorporar, como nas reformas decorrentes do Projeto Leitura, certos aspectos gráficos que remontem ao novo alfabetismo visual, à nova lógica e signos para a organização espacial de conteúdos que se reinventa com o surgimento de tecnologias modernas em termos de formas, orientação de leitura, tons, cores, texturas, escalas, dimensões e movimentos (DONDIS, 1997), tendo  como  exemplo o uso de módulos retangulares horizontais no jornal impresso, mimetizando à tela dos televisores (SILVA, 2007) –, embora para ser bem-sucedida essa estratégia não deve incluir apenas uma alusão representacional, de ordem superficial, de imitação do ambiente online, mas também componentes simbólicos e abstratos, estes relacionados mais estreitamente à cognição e à forma de hierarquizar e consumir conteúdo.

Porém, a reação do meio impresso ao digital deverá também contemplar uma reestruturação de conteúdo ofertado, tendo em vista as limitações de um meio em relação ao outro, de modo a oferecer um produto diferenciado pelo qual, do ponto de vista do consumidor, valha a pena pagar. Como aponta Marcondes Filho (2007), auto-organização de um sistema deve incorporar “ruídos”  externos para o manter em consonância com os demais, numa configuração rizomática em que os pontos estão intercontectados e cada ação em um deles transmitirá aos demais transformações em termos cognitivos, cujos novos signos podem levar a reações de desterritorialização, de abertura à novas formas de construir e apreender conteúdo – novamente, como ocorrido nos jornais impressos da década de 1980 – ou de reterritorialização, de enclausuramento de significados – caso de projetos gráfico-editoriais fechados num modelo de culto a gêneros e formas de organização visual do passado, como na revista piauí, cujo público é restrito e elitizado, porém constante.

 

3. Objetivos

 

3.1 Objetivo geral

Identificar, descrever e compreender as estratégias editoriais de jornais paulistas de médio porte frente à digitalização midiática, de modo a identificar tendências a serem seguidas pelo suporte impresso no país e o impacto sofrido pelo mercado com as mudanças na forma de produzir e consumir conteúdo.

 

3.2. Objetivos específicos

  • Analisar e qualificar as transformações de composição visual por que passou a imprensa paulista no período 2003-2012.
  • Identificar mudanças na natureza e distribuição espacial do conteúdo dos jornais impressos analisados, no período 2003-2012.
  • Compreender a visão dos gestores e editores de jornais impressos em relação ao lugar de seu veículo no novo arranjo desenhado pelo conjunto dos suportes comunicacionais e ao futuro de seu mercado.
  • Delinear o impacto, em termos de conteúdo e apresentação visual, da “revolução digital” sobre os periódicos diários impressos paulistas e apontar em que grau ela transforma o produto ofertado ao leitor.
  • Avaliar a eficácia das novas estratégias adotadas pelos veículos analisados frente aos desafios impostos pela competição com o suporte digital.

 

4. Materiais e métodos

 

A pesquisa terá caráter empírico e será realizada nas seguintes etapas:

  1. Revisão bibliográfica de livros e artigos de periódicos nacionais e estrangeiros relacionados ao tema e objeto da pesquisa – reformas gráficas e editoriais de produtos jornalísticos impressos, digitalização dos meios de comunicação, crise do jornal impresso, reorganização econômica de empresas jornalísticas, economia política do jornalismo, design jornalístico. A revisão ocorrerá em duas etapas de três meses de duração cada, não coincidentes com os períodos mais críticos de análise, e permitirá sofisticar os instrumentos teóricos de apreciação crítica do material reunido, atualizar o pesquisador acerca do trabalho realizado pelos pares em relação aos tópicos associados à pesquisa e, caso haja estudos semelhantes realizados sobre jornais de grande circulação, ainda que em diferente escala, estabelecer parâmetros de comparação entre o contexto e as estratégias gráfico-editoriais dos veículos impressos brasileiros.
  2. Coleta do corpus de análise da investigação científica proposta, composto por sete edições publicadas sequencialmente (segunda a domingo) em cada ano do período 2003-2012 dos diários paulistas A Cidade, O Estado de S. Paulo, Jornal da Cidade e Tribuna Impressa num total de 280 edições. A coleta será feita por meio de consulta ao arquivo dos periódicos. Junto aos órgãos de auditoria e departamento financeiro dos veículos, serão levantados números referentes à circulação, vendas e faturamento originado pelos jornais às respectivas empresas comunicacionais no recorte temporal definido.
  3. Análise de conteúdo (editorial) dos exemplares recolhidos, debruçada especialmente sobre a cadernização, presença e frequência de gêneros jornalísticos e estratégias textuais.
  4. Análise de composição visual do corpus selecionado, de modo a identificar a tipografia, uso de cores, recursos gráficos subordinados ou complementares ao texto (fotografias, boxes, infográficos, etc) e distribuição espacial do conteúdo.
  5. Realização de entrevistas semi-estruturadas com gestores e editores dos quatro jornais analisados, por meio de questionários abertos, organizadas no intuito de inquirir sobre as mudanças gráficas e editoriais identificadas nas duas etapas anteriores, nas estratégias adotadas para manter e atrair leitores e políticas de diálogo e convergência com plataformas digitais.

 

A conclusão de cada etapa-chave de análise dará origem a um ou mais artigos, a serem enviados a periódicos científicos de Comunicação Social qualificados em nível A2, B1 ou B2 e aos principais eventos congressos nacionais da área, promovidos pelas associações científicas Intercom e SBPJor, assim como envio de trabalho ao encontro da Compós nos primeiros trimestres de 2014 e 2015, conforme a pesquisa estiver madura e a análise e interpretação dos dados, mais robusta.

A preparação do relatório final terá papel complementar de esboço de livro que sintetize e aprofunde a discussão gestada pela pesquisa, a ser preparado posteriormente à sua conclusão.

 

4.1. Cronograma

A pesquisa terá duração trienal, iniciando-se no segundo trimestre (abril-junho) de 2012 e chegando à conclusão no primeiro trimestre (janeiro-março) de 2015. As tarefas e demais atividades  vinculadas ao trabalho de investigação estarão distribuídas desta forma ao longo do referido período:

 

 

Ano 2012 2013 2014 2015
Trimestre 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1
Revisão bibliográfica X X X       X X X      
Coleta dos exemplares de jornais X X X                  
Coleta de dados quantitativos     X       X          
Análise de conteúdo (editorial)     X X X              
Análise da composição visual         X X X          
Preparação de questionários           X            
Realização de entrevistas             X X        
Análise preliminar das entrevistas               X        
Realização de entrevistas complementares                 X      
Análise das entrevistas e dados quantitativos                 X X X  
Preparação de artigos       X     X X     X X
Envio de artigos a periódicos e eventos         X   X   X   X X
Participação em eventos científicos   X X     X X   X X X  
Redação de relatório final                     X X

 

 

4.2. Forma de análise dos resultados

Como discutido anteriormente, o surgimento de um novo suporte comunicacional, especialmente um que ofereça comodidade e agilidade no acesso a informações atualizadas,   implicará em reestruturação das estratégias de conteúdo e de articulação dos códigos verbais e não-verbais dos meios previamente existentes, necessária a mantê-los socialmente relevantes e economicamente viáveis.

A primeira das três etapas dedicadas à análise, voltada ao conteúdo editorial, essencialmente verbal, pretenderá compreender se, e de que forma, o jornal paulista reinventa seu conteúdo de modo a se aproximar do texto de internet ou tomar distância dele e se apresentar como produto comunicacional diferenciado.

Posteriormente, a análise das reformulações no código visual dos veículos permitirá identificar em que ponto pretendeu-se uma aproximação do visual da internet ou da estrutura hipertextual de fruição de conteúdo, de modo a se verificar se houve uma influência das linguagens da comunicação digital sobre as dos jornais impressos.

Por fim, as entrevistas permitirão compreender, em primeiro lugar, como os gestores e os responsáveis pelo conteúdo jornalístico pensam o seu leitor, se há mecanismos para identificar a demanda desse público – e, em caso positivo, se ela é plenamente ou parcialmente atendida –, como avaliam o papel do suporte impresso frente à concorrência com o digital e as reformulações efetuadas no período 2003-2012, informações que, confrontadas com os dados quantitativos, permitirão caracterizar se houve sucesso nas mudanças e em que medida.

Dessa forma, o conjunto dos dados recolhidos e análises realizadas permitirá traçar um panorama das diferentes estratégias adotadas pelos veículos selecionados no intuito de preservar e/ou renovar seu público leitor, assim como a eficácia das medidas e revisões posteriores. Serão, assim, identificadas e interpretadas as tendências editoriais da reação da imprensa metropolitana e interiorana à revolução digital e inferidos os rumos futuros da mídia impressa brasileira diária em seus diferentes nichos.

 

5. Referências

ANDERSON, Chris. The long tail. 1. ed. New York: Hyperion, 2006.

BRIGGS, Asa; BURKE, Peter. Uma história social da mídia. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

FALASCHI, Celso Luiz. Identificação de Narrativas e Características Criativas no Jornalismo Impresso Diário Brasileiro. 2005. 440 f. Tese (Doutorado em Psicologia) – Faculdade de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas.

FERRARETTO, Luiz Artur. Rádio – O veículo, a história e a técnica. 3. ed. Porto Alegre: Doravante, 2007.

MARCONDES FILHO, Ciro. De como a cibernética pôs abaixo o mundo organizado como linguagem. In: KREINZ, Glória; PAVAN, Crodowaldo; MARCONDES FILHO, Ciro. Feiras de Reis. Cem anos de divulgação científica no Brasil. São Paulo: NJR/ECA-USP, 2007.

MEDINA, Cremilda. Déficit de abrangência nas narrativas da contemporaneidade. MATRIZes, v.2, n.1, p.77-96, jul.-dez. 2008.

PICARD, Robert G. A Consumer Perspective on Digital Television and Interactive Television, In:   BROWN, Allan (org.); _______________ (org.). Digital Terrestrial Television in Europe. Mahwah: Lawrence Erlbaum Associates, 2005, p. 135-149.

SAVIANI REY, Luiz Roberto. Jornal Impresso e Pós-Modernidade: O Projeto Ruth Clark e a Espetacularização da Notícia. Estudos em Comunicação, v. 6, p. 317-333, 2009.

SILVA, Carlos Eduardo Lins da. O adiantado da hora – A influência americana sobre o jornalismo brasileiro. São Paulo: Summus, 1990.

SILVA, Rafael Souza Controle remoto de papel: efeito zapping no jornal impresso. São Paulo: Annablume, 2007.

TEIXEIRA, Tattiana. Infografia e jornalismo. Conceitos, análises e perspectivas. Salvador: EDUFBA, 2011.

THOMPSON, John B. Books in the Digital Age. Cambridge: Polity Press, 2005.

TRAQUINA, Nelson. Teorias do Jornalismo. v.1. 2. ed. Florianópolis: Insular, 2005a.

__________________. Teorias do Jornalismo. v.2. Florianópolis: Insular, 2005b.

WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. 9. ed. Barcarena: Presença, 2006.

 

6. Bibliografia complementar

BAUER, Martin W.; GASKELL, George. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.

DENCKER, Ada de Freitas Maneti; Viá, Sarah Chucid. Pesquisa empírica em ciências humanas (com ênfase em comunicação). São Paulo: Futura, 2001.

DIZARD JR., Wilson. A nova mídia. A comunicação de massa na era da informação. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.

DONDIS, Donis A. A. Sintaxe da linguagem visual. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

DUARTE, Jorge (org.); BARROS, Antonio (org.). Métodos e técnicas de pesquisa em Comunicação. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011.

GUIMARÃES. Luciano. As cores na mídia: a organização da cor-informação no jornalismo. São Paulo: Annablume, 2003.

____________________. A cor como informação: a construção biofísica, linguística e cultural da simbologia das cores. São Paulo: Annablume, 2001.

HARVEY, David. Condição pós-moderna. 20. ed. São Paulo: Loyola, 2010.

HERSCOVITZ, Heloiza Golbspan. Análise de conteúdo em jornalismo. In: LAGO, Cláudia (org.); BENETTI, Márcia (org.). Metodologia de pesquisa em jornalismo. Petrópolis: Vozes, 2007, p.123-142.

JENKINS, Henry. Cultura da convergência. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2009.

LEÃO, Lúcia (org.). O chip e o caleidoscópio: reflexões sobre as novas mídias. São Paulo: Editora Senac, 2005.

MEYER, Philip. Os jornais podem desaparecer?. São Paulo: Contexto, 2007.

PIVETTI, Michaella. Planejamento e representação gráfica no jornalismo impresso: a linguagem jornalística e a experiência nacional. 2006. Dissertação (Mestrado em Ciências da Comunicação), Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo.

RIBEIRO, Milton. Planejamento visual gráfico. 4. ed. Brasília: LGE, 1999.

SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Mauad, 1999.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

21/03/2012 às 11:45

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