teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Projeto: mídias sociais em redes de aprendizagem colaborativa

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Título: Desenvolvimento e aplicação de um modelo de referência para o uso social de mídias digitais em redes de aprendizagem colaborativa

Resumo: O projeto visa ao desenvolvimento e aplicação de um modelo de referência para atividades de difusão e educação científica tendo como foco central o uso social de mídias digitais por meio de recursos de comunicação interativa em redes colaborativas de aprendizagem. Busca-se, com isso, fornecer subsídios a ações inovadoras de comunicação e educação mantidas, por exemplo, pelos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), pelos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), pelos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFSP), entre outras organizações dedicadas à produção e à divulgação de conhecimento no país. Como diferencial, o modelo proposto prevê a utilização de tecnologias de informação inspiradas em redes sociais de relacionamento combinadas a repositórios de arquivos multimídia e ferramentas autorais dedicadas à produção, publicação, rastreamento e intercâmbio de conteúdos entre usuários conectados.

Introdução e justificativa

Nas últimos dez anos, as tecnologias de informação baseadas na internet e nos meios digitais de comunicação fomentaram uma ampla revisão sobre os processos de socialização do conhecimento, transformando diretamente uma série de princípios, modelos e práticas de educação e difusão científica.

Há uma profusão de novos métodos e instrumentos para a divulgação e a troca de conhecimentos, que se renovam e evoluem a partir dos modos de interação simbólica em comunidades e segmentos de público interconectados por meio de dispositivos convergentes de mídia presentes no convívio escolar e familiar. No entanto, o uso efetivo dessas tecnologias em atividades de ensino e aprendizagem ainda tem representado um desafio para grande parte das escolas e redes de comunicação educativa nos setores público e particular.

Questiona-se, por um lado, até que ponto a oferta de infra-estrutura de informática nas escolas e domicílios, com mais equipamentos e conectividade, associada à abundância de informação e conteúdos disponíveis on-line, não geraram um paradoxo que acaba dificultando a utilização, pelo professor, desses instrumentos que, em tese, deveriam ser facilitadores dos processos de ensino e aprendizagem, fomentando uma desconexão entre os processos de exposição de conhecimento e de sua efetiva assimilação comunicacional.

São necessários, portanto, novos modelos metodológicos para a criação e a coordenação de projetos e roteiros educativos que contemplem uma série de aspectos característicos das práticas de comunicação e aprendizagem colaborativa, tais como:

 

  • Elenco das tecnologias a serem empregadas
  • Seleção dos conteúdos utilizados
  • Combinação seqüencial de peças e formatos midiáticos
  • Mapeamento de relações temáticas e de atualidade
  • Inserção de elementos de apelo vocacional e motivacional
  • Controle dos fluxos de distribuição de informação
  • Moderação dos canais de interação entre os usuários
  • Avaliação da recepção e retroalimentação do processo

 

Diante desse cenário, este projeto pretende contribuir para o desenvolvimento e a aplicação de um modelo de referência para atividades de difusão e educação científica tendo como foco central o uso social de mídias digitais por meio de recursos de comunicação interativa em redes colaborativas de aprendizagem.

Busca-se, com isso, fornecer subsídios a ações inovadoras de comunicação e educação mantidas, por exemplo, pelos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), pelos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), pelos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFSP), entre outras organizações dedicadas à produção e à divulgação de conhecimento no país.

Como diferencial, o modelo proposto prevê a utilização de tecnologias de informação inspiradas em redes sociais de relacionamento combinadas a repositórios de arquivos multimídia e ferramentas autorais dedicadas à produção, publicação, rastreamento e intercâmbio de conteúdos entre usuários conectados.

Devido a seu caráter genérico, o modelo de referência previsto não terá sua aplicação restrita a um determinado tipo de organização curricular ou a um determinado segmento de comunicação educativa. Assim, os elementos, categorias e propriedades por ele descritas podem ser instanciados para diferentes contextos e aplicado por professores, jornalistas, produtores audiovisuais, designers instrucionais e outros profissionais de equipes multidisciplinares de comunicação e educação.

Como justificativa para essa pesquisa, vale dizer, ainda, que tecnologias de aprendizagem atendem a um segmento econômico crescente e movimentam cada vez mais programas de pesquisas, políticas de governo e mercados especializados de desenvolvimento e aplicação, caracterizados por alta qualificação e inovação frequente.

Com esse movimento, modificam-se também as estratégias econômicas associadas aos negócios da educação, com a criação de novos mercados portadores de futuro na interface entre tecnologia, comunicação, aprendizagem, formação e treinamento de recursos humanos.

Esse novo cenário econômico caracteriza-se por uma com maior amplitude de escala sobre produtos e serviços desenvolvidos, além de abranger novos segmentos usuários e, ainda, permitir a integração de métodos e práticas convencionalmente usados em ambientes virtuais convencionais ou salas de aula.

 

Objetivos

 

Esse trabalho busca sistematizar e ampliar os resultados já obtidos com duas iniciativas prévias de pesquisa e extensão sediadas ou apoiadas, nos últimos anos, pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), por meio de seu pólo instalado em São Carlos. São elas:

 

• Agência Multimídia de Difusão Científica e Educacional”, mantida, desde 2006, com recursos de fomento do CNPq e da Fapesp, sob coordenação da Profa. Yvonne Primerano Mascarenhas, e responsável pela operação do projeto Ciência Web [1] e pelas atividades regulares de divulgação do INCT de Sistemas Críticos Embarcados [2] e do INCT de Eletrônica Orgânica Molecular [3].

 

• “Modelo Estrutural de Conteúdos Educativos para TV Digital Interativa”, tese de doutorado defendida, em 2009, pelo autor deste projeto no Departamento de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da USP [4], e que vem sendo aplicada, desde então, como projeto de pesquisa e disciplina no Programa de Pós-Graduação em TV Digital da Unesp, campus de Bauru [5].

 

O objetivo central deste novo projeto é descrever princípios, processos e atividades relacionadas ao uso social de mídias digitais em redes de aprendizagem colaborativa, de modo a contribuir para a elaboração de métodos inovadores que possam viabilizar a aplicação efetiva de novas tecnologias de informação e comunicação no contexto educacional.

A partir da modelagem propostas, serão elaborados casos exemplares de uso envolvendo conteúdos de ensino médio e fundamental em atividades práticas a serem conduzidas em parceria com escolas públicas e privadas locais, por intermédio da referida Agência Multimídia de Difusão Científica e Educacional.

Para atingir esses objetivos, são propostas três linhas de ação:

 

 

Linha de ação 1: Desenvolvimento de um modelo de referência para o uso social de mídias digitais em redes de aprendizagem colaborativas

 

Esse modelo deve prever instrumentos que estimulem os membros de uma comunidade de aprendizagem a repercutirem entre si e a reformularem os conhecimentos adquiridos, além de elaborarem representações midiáticas coletivas sobre eles, possibilitando inclusive o autocontrole da comunidade sobre os conteúdos gerados.

Sua aplicação pode ser adaptada a diferentes níveis e contextos de ensino-aprendizagem, permitindo um maior ou menor grau de autonomia para comunicação interpessoal e criação de conteúdos, com atribuições de monitoramento definidas e alteradas em atendimento a cada situação.

Nesse sentido, o uso do sistema pode adequar-se facilmente ao tipo de conteúdo, às circunstâncias de aprendizagem e aos perfis de usuários em situações distintas, oferecendo um cardápio variado de opções tecnológicas multimodais que podem ser selecionadas e aplicadas em situações diversas.

Essa versatilidade de papéis atribuídos a membros específicos da rede permite reproduzir, no ambiente virtual, os grupos de atores e personagens que lhes são correspondentes no mundo real, tais como alunos, pais, professores, coordenadores, diretores, administradores, entre outros.

O modelo inspira-se, também, no equilíbrio entre as dimensões lúdicas, comunicacionais e conteudistas que constituem uma rede de aprendizagem colaborativa, de modo a estimular interações e trocas que sejam pedagogicamente significativas e também oferecer recursos do tipo “mão a massa” que incrementem a experiência educacional por meio da geração e assimilação crítica de conteúdos, bem como da participação dos usuários em propostas de aprendizagem baseada em projetos.

 

Linha de ação 2: Aplicação do modelo desenvolvido em um projeto piloto envolvendo alunos de ensino médio e fundamental de São Carlos

 

O método de aplicação desse projeto piloto irá combinar recursos de aprendizagem por projeto e interação por meio de redes de relacionamento social, ao mesmo tempo em que oferece recursos de controle sobre a mediação e a produção colaborativa de conteúdos por comunidades temáticas de conhecimento.

Para isso, será empregado um sistema baseado em internet que oferece ambiente propício às interações colaborativas de aprendizagem entre múltiplos usuários conectados em rede. A arquitetura do sistema deve ser inspiradas em redes sociais de relacionamento e incluir repositórios de mídia e ferramentas de realização de projetos que empreguem recursos de Web 2.0, tais como fórum, wiki, enquetes e edição compartilhada de documentos, planilhas e apresentações.

Seriam integradas, assim, ferramentas e recursos de difusão de conteúdo, administração de cursos à distância e redes sociais de relacionamento em um mesmo ambiente virtual, incorporando vantagens de cada um desses sistemas sem, contudo, limitar-se por suas respectivas características estruturais, conforme indicado no quadro a seguir:

 

  Portais de conteúdo educacional Sistemas de cursos à distância

 

Redes sociais de relacionamento

 

Exemplos Portal Educacional

Revista Nova Escola

 

Moodle

Teleduc

Blackboard

Facebook

Twiitter

Orkut

Características e vantagens Centrados em conteúdo

Mantêm acervos multimídia

Textos para leitura

Fontes para pesquisa

Interação por comentário

Centrados em cursos

Ferramentas e recursos (fórum, enquete, wiki, repositório de arquivos)

Controles de fluxo

Ensino à distância

Mediação de um tutor

Centradas no usuário

Motivador e estimulante

Relações e vínculos

Compartilhamento

Colaboração

 

 

Desvantagens mais comuns Conteúdos dispersos

Sem orientação para uso

Não integrado a projetos

Requer triagem de conteúdos

Condições de uso e copyrights

Sem apelo motivacional

Foco em ensino superior

Alto planejamento pedagógico

Equipes de apoio

Infraestrutura computacional mais complexa

Se abertas, permitem o cadastros anônimos

Sem monitoramento
Susceptíveis a comunicações ofensivas

Finalidade de entretenimento

 

Esse sistema idealizado também deve permitir a interação remota entre membros de localidades distintas, no país ou no mundo, que colaboram em projetos conduzidos em parceria por instituições que compõem em núcleos comuns da rede, estimulando a interação entre usuários que estão geografica e culturalmente distantes.

Desta forma, deverá ser possível criar canais de relacionamento entre grupos e membros com base em conjuntos identitários, concêntricos ou não, e eventualmente sobrepostos, ora mais fechados (uma turma, uma escola, um tema), ora mais abertos (várias escolas, várias cidades, vários temas).

 

Linha de ação 3: Avaliação do processo de aplicação do projeto piloto e das práticas de uso de mídias pelos usuários da rede de aprendizagem

 

Nesta terceira linha de ação, é proposto, como hipótese, que esses fluxos de informação e conteúdo promovam e, ao mesmo tempo, se retro-alimentem dos conhecimentos e vínculos identitários criados na interação entre os membros da rede, constituindo não apenas um sistema aplicado à educação e à comunicação, mas um ambiente virtual dinâmico de aprendizagem colaborativa capaz de incrementar o aproveitamento obtido com o intercâmbio de experiências e conhecimentos.

Para avaliar esse aproveitamento, é prevista a preservação do histórico de interações mantidas ao longo do processo colaborativo, de modo que os membros de um projeto possam consultar, rever e aprender com as etapas executadas, agregando lições, referências e soluções para projetos futuros. Também deverão ser aplicadas técnicas de pesquisa ação e participativa envolvendo grupos focais de discussão e aplicação de entrevistas e questionários.

Busca-se, assim, contribuir para a elaboração e avaliação das condições de aplicação de um conjunto de métodos inovadores que apóiem a utilização desses sistemas colaborativos de aprendizagem mediada por tecnologias digitais no contexto educacional brasileiro, servindo de referência para professores e gestores de setores diversos, entre os quais podem ser identificados os seguintes:

 

  • Universidades públicas estaduais e federais
  • Universidades particulares
  • Centros universitários e faculdades particulares
  • Escolas técnicas e centros de formação de tecnólogos
  • Escolas de ensino básico (fundamental e médio)
  • Centrais de capacitação ligadas a sindicatos e associações profissionais
  • Empresas ofertantes de programas de treinamento de pessoal
  • Universidades corporativas
  • Emissoras públicas, universitárias e educativas de televisão
  • Agências de produção de conteúdo educativo
  • Empresas de desenvolvimento software para educação a distância
  • Empresas de consultoria para educação a distância

 

Como resultado, é prevista a elaboração de um portal na internet com repositório de projetos e atividades modelares que possam ser consultadas, adaptadas e re-utilizadas por educadores em diferentes contextos. Esse portal constituiria, assim, uma central de compartilhamento de conhecimentos acerca dos processos de uso social de mídias digitais em redes colaborativas de aprendizagem, favorecendo o intercâmbio de experiências educacionais e comunicações com foco na difusão de ciências para o público geral e escolar.

 

 

Plano de atividades e cronograma

 

A realização do trabalho descrito neste projeto de pesquisa seguirá o seguinte cronograma:

 

Atividades Mar/12 Abr/12 Mai/12 Jun/12 Jul/ 12 Ago/12 Set/ 12 Out/12 Nov/12 Dez/12 Jan/12 Fav/12
Levantamento de bibliografia a a                    
Revisão teórica de conceitos a a a                  
Análise de modelos existentes   a a a                
Desenvolvimento da modelagem     a a a a a          
Aplicação de projeto piloto           a a a a      
Avaliação de resultados                   a a a
Conclusão e redação de relatórios           a a       a a
                         

 

 

 

Bibliografia de referência

 

CLARK, J. Public Media 2.0: Dynamic, Engaged Publics. Washington: American University, 2009

 

JENKINS, H. Cultura da convergência: a colisão entre os velhos e novos meios de comunicação. São Paulo: Aleph, 2009

 

JOMSOCIAL. www.jomsocial.com. Acessado em 21/10/2011

 

SAFKO, L. The Social Media Bible: tatics, tools and strategies for business success. Hoboken: Wiley, 2010

 

ZUCKERMAN, E. International reporting in the age of participatory media. Cambridge: American Academy of Arts & Sciences, 2010

 

 

[outros a organizar]

 

A Utilizacao Das Redes Sociais Na Educação

http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=V0S57l9W8GsC&oi=fnd&pg=PT18&dq=%22redes+sociais+na+educação%22&ots=LpUYEx6vJD&sig=oEEEtNJLovXO0I17XcbIpHu4aTw

 

Redes Sociais e Educação

http://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_informatica_aplicada/article/download/1246/925

 

Estudo da Utilização de Redes Sociais como Ferramenta de Avaliação de Participação

http://www.ccae.ufpb.br/sbie2010/anais/WAvalia_files/78613_1.pdf

 

Aprendizagem Colaborativa: estudo da co-operação de uma comunidade virtual de aprendizagem de inglês

http://200.169.53.89/download/CD%20congressos/2008/SBIE/sbie_artigos_completo/Aprendizagem%20Colaborativa%20estudo%20da%20co-operação%20de.pdf

 

WEB 2.0 E REDES SOCIAIS NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: CASES NO BRASIL

http://www.educoas.org/portal/La_Educacion_Digital/laeducacion_145/studies/EyEP_mattar_ES.pdf

 

REDES SOCIAIS E JOGOS ONLINE, AMPLIANDO AS RELAÇÕES EM SOCIEDADE

http://www.gtimotheo.com/etic2010/uploads/Artigo_-_Games_Sociais_recriando….doc

 

CURRÍCULO E WEB 2.0 ARGUMENTOS POSSÍVEIS A UMA DIFERENCIAÇÃO EM EDUCAÇÃO DIGITAL

http://redalyc.uaemex.mx/src/inicio/ForazarDescargaArchivo.jsp?cvRev=766&cvArt=76613022005&nombre=CURR%CDCULO%20E%20WEB%202.0%20ARGUMENTOS%20POSS%CDVEIS%20A%20UMA%20DIFERENCIA%C7%C3O%20EM%20EDUCA%C7%C3O%20DIGITAL

 

ORKUT: FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA

http://www.sigeventos.com.br/jepex/inscricao/resumos/0001/R0380-1.PDF

 

REDES NA EDUCAÇO: QUESTÕES POLÍTICAS E CONCEPTUAIS

http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/html/374/37420206/37420206.html

 

Conhecer e utilizar a Web 2.0: um estudo com professores do 2º e 3º ciclos

http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/13734

 

 

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

21/03/2012 às 15:42

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