teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Texto: “Tudo se explicaria”, revista Piauí

com 23 comentários

Leia o texto a seguir, publicado na edição número 47 da revista “Piauí”. Reflita sobre as questões que envolvem a produção, o reconhecimento e a divulgação do conhecimento científico. Considere, também, como o uso da ironia textual pode (ou não) constituir um artifício de linguagem para caracterizar a postura crítica do jornalista diante desse tipo de saber. Redija um comentário de 10 linhas sobre suas reflexões e poste nesta página até a próxima aula.

Link para página original da reportagem

http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao_47/artigo_1385/Tudo_se_explicaria.aspx

Tudo se explicaria

A solidão de um cientista a quem ninguém dá ouvidos

BERNARDO ESTEVES

Hélio Barnabé Caramuru, engenheiro civil aposentado, tem certeza de que guarda na gaveta de sua mesa, num prédio residencial da Bela Vista, em São Paulo, a chave de quase todos os segredos do mundo natural. Foi precisamente nesse apartamento, onde mora com dois gatos e um cachorro, que ele concebeu a sua teoria “A Matemática da Evolução”, lá se vão quinze anos. Trata-se de uma equação capaz de descrever um sem-número de sistemas que evoluem com o passar do tempo. “Tudo o que existe na natureza foi criado a partir dessa equação”, assevera Caramuru, com a serenidade dos iluminados.

O decaimento de isótopos de urânio, o crescimento das populações e a mortalidade de animais marinhos são exemplos de fenômenos cobertos pela AME, assim como a escala bem temperada de Bach. A relação entre as notas musicais guarda valores fixos; se a equação de Caramuru for alimentada com a frequência (em hertz) de determinada nota, ela apontará a frequência da nota seguinte. Nada muito espantoso, mas ele ficou satisfeitíssimo ao constatar que a teoria se aplicava também aqui.

Relativamente simples, usando uma matemática ao alcance de qualquer estudante do primeiro ano de engenharia, a teoria foi amadurecida quando Caramuru se aposentou e pôde canalizar sua energia criativa para os cálculos. Formado em 1958 na Escola de Engenharia da USP em São Carlos, no interior do estado, ele trabalhou principalmente com barragens para hidrelétricas. Foi funcionário das Centrais Elétricas de São Paulo e orgulha-se de ter participado da construção das usinas de Itaipu e Tucuruí.

De início, Caramuru batizou sua teoria de denajodalogia, acrônimo da frase usada por Einstein para descartar a existência do acaso e da indefinição nas coisas do universo: “Deus não joga dados.” Mas ele viu que era melhor não pôr o Criador no meio, sem contar que o nome soava mal como um cacófato. Lúcido, confiou o neologismo à lata de lixo e rebatizou sua teoria de “A Matemática da Evolução”, solução menos memorável, porém mais apta a repelir antipatias à primeira vista.

Ademais, na metafísica de Caramuru, o Deus que existe é um contemplador. Dele partiram as instruções matemáticas que regem o rumo das coisas, mas daí em diante os fenômenos descritos pela fórmula matemática seguem olimpicamente um curso inexorável. “Deus não manda na minha matemática”, diz o engenheiro, sem medo das consequências.

Em termos pragmáticos, contudo, mal não faria se o Criador lhe desse uma forcinha junto à comunidade científica, que teima em ignorar a AME. Caramuru já cansou de tentar mostrá-la a especialistas da USP e da Federal do Rio. O roteiro é sempre o mesmo: os professores suficientemente gentis para recebê-lo alegam não dispor de tempo para ler o trabalho?– ainda que o artigo fundamental que apresenta a equação tome apenas seis páginas?–, enquanto as raras almas que prometem ler tudo com atenção costumam evaporar sem dar notícia.

Hélio Barnabé Caramuru é um soldado solitário. Suas teses parecem feitas de neutrinos, os quais, sabemos todos, vêm a ser aquelas partículas subatômicas que praticamente não interagem com a matéria. O que ele diz não penetra o mundo sólido e se perde no éter. Nada emplaca.

Mas a indiferença não abala suas convicções. Ele a atribui ao corporativismo da ciência estabelecida, sempre refratária a novidades. “Dos cientistas, só recebi desprezo e escárnio. Hoje eu os perdoo e lhes sou grato.” As provações agem como um tônico poderoso. Na rejeição encarniçada, Caramuru enxergou um sinal de que estava no justo caminho.

Quando ainda acalentava a hipótese de que a resistência se restringiria ao provincianismo dos brasileiros, Caramuru tentou estabelecer contato com atores mais relevantes do pensamento mundial. Vencendo um inglês limitado, redigiu uma carta em que denunciava a miudeza intelectual dos conterrâneos e apresentava os prolegômenos da AME. “Antevejo grande interesse para a ciência acerca dessa nova teoria”, garantiu.

A carta foi encaminhada à Sociedade Americana de Física e à Sociedade Química do Japão. Silêncio. Uma cópia seguiu para a Universidade de Edimburgo, endereçada ao professor emérito Peter Higgs, físico teórico de 81 anos que propôs a existência da partícula mais misteriosa da física: o bóson de Higgs, justamente. Silêncio. Caramuru recorreu até ao físico alemão Max Planck, que, falecido em 1947, deveria ter recebido a missiva por intermédio do instituto de pesquisa homônimo. “Um rasgo de humorismo”, ele diz. Nem assim.

Restava a via-crúcis das revistas científicas. Sempre altivo, Caramuru submeteu seus escritos a publicações do Brasil e do exterior. Atreveu-se mesmo a cutucar a Nature, uma das mais sacrossantas do mundo. Nada: “Ou alegam que não está no escopo da revista, ou mandam dizer que está faltando alguma informação. Há muita formalidade nessas revistas.”

Nesse sentido, a internet chegou como uma lufada de desburocratização. Caramuru publicou seus artigos no Artigonal e no Webartigos, portais que compreendem a importância de expor ideias científicas sem o óbice de múltiplas revisões por pares do autor. Nada. Não foi o bastante para dar visibilidade à teoria. Seu artigo mais popular no Artigonal teve cerca de 200 acessos desde outubro de 2008, não obstante intitular-se “Nova visão matemática sobre jogos de azar” e mostrar como a equação central da teoria descreve a frequência com que são sorteadas as dezenas da Mega-sena.

Se algum cínico de plantão engatilhou a língua ferina, pois saiba que Caramuru não se furtou a pôr à prova a eficácia da AME. “Ganhei a quadra em quatro ocasiões jogando só 10 reais”, ele conta. Não seria pouco demais para uma teoria de tão altas pretensões?, perguntará o plantonista. Não. A dificuldade técnica de realização dos cálculos o faria perder tempo?– “Gasto pelo menos um dia inteiro”, diz Caramuru?– e, mais importante, ele tem escrúpulos em usar a AME para essas coisas: “Sou contrário aos ganhos fáceis. Meu projeto é maior do que isso.”

A falta de interlocutores começa a tomar ares dramáticos para o engenheiro Caramuru: “Se eu morrer hoje, levará anos até que alguém volte a descobrir isso.” Ele completa 81 anos neste mês de agosto.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

15/04/2012 às 0:02

Publicado em Jornalismo Científico

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23 Respostas para 'Texto: “Tudo se explicaria”, revista Piauí'

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  1. O texto “Tudo se explicaria” do autor Bernardo Esteves conta de forma crítica, a triste história do engenheiro civil aposentado Hélio Barnabé Caramuru,que criou uma teoria a mais de quinze anos chamada“A Matemática da Evolução”,onde diz que através de uma equação pode-se notar as mudanças naturais que vão acontecendo com o passar do tempo em nosso mundo,mas o aposentado nunca conseguiu emplacar a sua tese.Ele procurou pesquisadores,publicou os artigos na internet e nunca conseguiu a desenvolver,e mesmo com todas as negativas hélio acredita que guarda consigo uma teoria.E se ele vir a morrer essa teoria vai demorar a ser vista e estudada novamente.

    Lucas Pandolfelli Zampieri

    16/04/2012 em 20:32

  2. O texto “Tudo se explicaria”, publicado na Revista Piauí, mostra como é complicado para um cientista conseguir espaço de divulgação de forma independente. Assim como os cientistas, as publicações também tendem a não dar chance a temas que não tenham o respaldo de uma forte instituição. Nada mais natural, pois o volume de produção científica é gigantesco e a avaliação prévia de conteúdo é fundamental para manter a qualidade. Apesar disso, muitos trabalhos excelentes ficam sem divulgação, ou por falta de interesse da mídia, ou por falta de um grande investimento, ou simplesmente pela falta de um nome respeitado do cientista. Quanto ao uso da ironia, utiliza-se esse artifício para criticar a falta de oportunidades que a mídia nacional e internacional dão aos cientistas e suas pesquisas.

    Cássio Leonardo Carrara

    18/04/2012 em 13:20

  3. O texto trata de um artigo científico, utilizando uma abordagem crítica para tratar da teoria AME (A Matemática da Evolução).
    Com linguagem culta e o uso de termos técnicos e científicos de pesquisa, o autor busca desvendar o porquê uma teoria em tese brilhante, que existe a cerca de 15 (quinze) anos, não é notada.
    Logo é perceptível em entrelinhas que a crítica não e voltada unicamente ao caso citado, assim, quantas outras teorias, tão brilhantes quanto esta ainda não foram ‘descobertas’, devido ao pouco caso de outros cientistas que poderiam estudá-las mais a fundo?

    Naira Paschoal

    19/04/2012 em 19:28

  4. O texto “Tudo se explicaria” do autor Bernardo Esteves na revista Piauí mostra uma história de forma critica e infeliz do engenheiro civil aposentado Hélio Barnabé Caramuru que criou uma pesquisa que existe a cerca de 15 (quinze) anos, não é notada.
    Assim mostra como é difícil para um cientista conseguir espaço na publicação de forma autônoma.
    Aborda uma linguagem culta que abrange esse tema científico a teoria AME (Matemática da Evolução.)
    Isso mostra a ironia, utilizada na fora de crítica à falta de oportunidades de interesse e falta de investimento a mídia nacional, ou simplesmente pela falta de desrespeito aos cientistas dando pouca chance de ter a sua teoria publicada.

    Francisléia Regina de Favere

    20/04/2012 em 17:20

  5. O texto do autor Bernardo Esteves conta a história do engenheiro civil aposentado Hélio Barnabé Caramuru, utilizando linguagem crítica e nomes científicos.
    Hélio criou uma teoria chamada “A Matemática da Evolução” há mais de 15 anos, tratando-se de uma equação capaz de descrever um sem-número de sistemas que evoluem com o passar do tempo, mas não teve seu reconhecimento merecido depois de tantos anos de trabalho e dedicação.
    Uma pena que além da tese de Hélio, quantas outras estão guardadas, ou não são estudadas com a devida atenção, desperdiçando anos de pesquisa que poderiam trazer algo de inovador para a ciência.

    Mirieli Coutinho

    22/04/2012 em 15:43

  6. No texto é possível notar a falta de interesse em algo que não demonstra a primeira vista ser de grande importância (mesmo que uma descoberta).

    É fato que o volume de publicações ciêntificas têm se apresentado bastante numerosos, o que dificulta ciêntistas menos conhecidos entrar para o universo dos grandes nomes da ciência. Assim, como também é fato, que não haja interesse em noticiar, publicar ou simplesmente dar a mínima atenção, a um assunto que não traz “ibope” para os meios de comunicação, que poderiam lucrar ou não com o “fato histórico” descoberto e possivelmente anunciado.

    Talvez, com o passar de mais 15 anos, alguém se interesse, financie, torne público e digno de aceitação a “Matemática da Evolução ” que terá apenas o silêncio, e agora solitário de fato (uma vez que Caramuru não seja tão novinho a ponto de esperar muitos mais anos para ser ouvido). É QUASE SEMPRE DEPOIS DE MORTO QUE SE RECEBE AS “HONRAS” !!!

    Andreza Palanca

    22/04/2012 em 19:19

  7. Com a densidade de publicações, muitas pesquisas científicas aos olhos do senso comum, podem parecer iguais. A difusão dessas publicações (na maioria das vezes) se dá por meio de interesses, sejam eles acadêmicos, econômicos, políticos ou sociais; Porém a maneira com que o pesquisador defende a aplicação e relevância de sua pesquisa ao submetê-la nos meios de divulgação pode fazer toda a diferença.

    A internet é sem dúvida, um disseminador de informações mais ágil que os veículos impressos, mas nem tudo que é divulgado, é abordado com a relevância que deveria.
    Um exemplo desse paradoxo de velocidade de informação versus divulgação, pode ser exemplificada no artigo abaixo:

    http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0024379508002450

    Ele foi submetido na revista Science Direct no dia 14 de junho de 1995 e foi aceito no dia 8 de maio de 2006.

    Em relação à ironia, o pesquisador utiliza-se dessa ferramenta para exprimir sua indignação com o descaso com sua pesquisa.

    Ana Paula Vieira

    22/04/2012 em 20:25

  8. No texto “Tudo se explica”, de BERNARDO ESTEVES relata a solidão de um engenheiro com muitas ideias e objetivos ainda na vida. No decorrer do texto, Bernardo Esteves conta um resumo da rotina do engenheiro civil, Hélio Barnabé Caramuru, ao dizer que ele vive com dói gatos, automaticamente, o leitor sente que a vida do engenheiro é solitária.
    Deixando de lado a linguagem científica, o autor do texto narra de forma irônica e um pouco poética no início, a atual forma de vida de Hélio Barnabé Caramuru. Com uma descoberta, que teve cerca de 200 acessos desde outubro de 2008, o engenheiro mostra teorias sobre os jogos de azar, e que… Tudo se explicaria!
    A falta de pessoas que ajudem na divulgação de seu trabalho, o autor do texto brinca em dizer que com isso, a pesquisa começa a “tomar ares dramáticos para o engenheiro Caramuru”, e o engenheiro conclui que se ele, com 80 anos, morresse agora, só depois de muito tempo alguém descobriria tudo isso.
    Enfim, as pessoas não valorizam alguma pesquisa de um pesquisador, só depois de muitos anos.

    Jéssica Mendes

    23/04/2012 em 12:56

  9. “Tudo se explicaria”. Publicado na Revista Piauí.
    O texto é muito bem colocado, organizado com informações, críticas. Trata-se de um artigo científico.
    É sobre um cientista que quer e tenta um espaço de divulgação do seu trabalho de maneira independente. Ele pesquisou, publicou, mas não conseguiu desenvolver esperava que tudo acabaria do jeito que sonhava, que seria reconhecido que divulgaria o trabalho.
    Há vários trabalhos que ficam sem aparecer na mídia ou em outro qualquer veículo de comunicação por falta de interesse ou até mesmo de acesso e informações não conhecidas, podemos até mesmo dizer a uma “falta” de cultura da população, conhecimento, estudo.
    Usa-se no texto uma certa ironia para críticas da “falta” de espaço que a tv, rádio, jornal…etc, dão aos pesquisadores, cientistas e outros profissionais.

    Tamiris Marchi Bunhola

    23/04/2012 em 13:28

  10. Esta é a ironia da batalha “jornalistas vs cientistas”. Em nem um ponto parece se chegar a um acordo entre as partes. De um lado estão os assessores de imprensa e jornalistas de redação que insistem em entrevistar pesquisadores indispostos, lívidos de que sua pesquisa tem autossuficiência para se difulgar. Jornalistas estes que dependem exclusivamente dos assessores para garantirem suas pautas; Assessores que dependem dos cientistas dispostos.

    Do outro lado estão os pesquisadores com seus status inoxidáveis de Doutores ou mais. Para eles, é um simples favor compartilhar sua pesquisa de anos e anos de trabalho (sustentado por dinheiro público) para pobres e sedentos jornalistas que, na primeira chance, irão distorcer as informações pesquisadas.

    Abaixo de tudo estão os “Caramurus” e “tupiniquins comuns”, sem saber o que fazer.

  11. O autor Bernardo Esteves apresenta de forma crítica a história de um engenheiro civil aposentado Hélio Barnabé, que como tantas outras pesquisas acabam sendo ignoradas ao longo do tempo.
    Com muita dedicação, com várias pesquisas e ainda com uma publicação não foi possível o esperado reconhecimento de tanto trabalho.Mesmo com vários veículos de comunicação, muitos trabalhos importantes não recebem o devido valor, tanto por falta de interesse ou mesmo de cultura.
    Por que deixar passar ou morrer ao invés de dar mais vida ao que já é radiante?

    Renata Toffino

    23/04/2012 em 15:53

  12. O texto conta com uma certa ironia a história que ao meu ver é muito triste do Engenheiro, Hélio Barnabé Caramuru.
    A sua teoria da “Matemática de Evolução” sofre por apenas ter 6 páginas e por ninguém lhe dar crédito sobre isso,que levou muito tempo e dedicação .E ao longo do texto dá pena ver o sofrimento do engenheiro tentar chegar nos cientistas para conseguir algum mérito .Ás vezes por suas ideias terem uma pitada de crença não deixa os cientistas tentaram ver com bons olhos a teoria de Hélio.E o autor com uma pitada de ironia critica o trabalho do engenheiro de forma inteligente .

    Camila Fernanda Servo

    23/04/2012 em 22:50

  13. O texto de Bernardo Esteves, “Tudo se explicaria”, ele traz a hisória de um engenheiro civil, Hélio Barnabé, que diz ter criado, a partir de uma equação, a partir da matemática, um modo de explicar tudo no Planeta. “A Matemática da Evolução”, chamada a teoria, segundo o autor, é um estudo do engenheiro de mais de 15 anos, onde ele diz ter encontrato essa teoria que explica tudo no Planeta, mas a parte “triste” da história é que, até hoje, nenhum veículo considerado grande, ainda não o procurou para divulgar sua “descoberta”, e essa é sua maior tristeza, ou podemos dizer “revolta” Além dos veículos de comunicação, nenhum cientista, pesquisador ou instituição, o procurou para estudar sua teoria. Suas teorias estão na internet, com pouquíssimos acessos. De acordo com o autor, se essa pessoa chegar a falecer, e se sua teoria estiver correta, só depois de alguns anos, algum ciêntista chegará a esse conhecimento ou até mesmo não chegará à teoria, assim ela se perderia.
    O texto em si, é muito bacana, uma linguem de fácil entendimento, mesmo tendo algumas palavras/termos “difíceis”, o contexto é de fácil entendimento. Já a teoria, na minha opinião, não é uma formula matemática que vai explicar, e até mesmo, nem estudos aprofundados explicaria, o que não é do feitil do HOMEM explicar, essa é minha opinião. Tem coisas que não existem explicações cientificas, por isso existe a fé.

    Tiago da Mata

    24/04/2012 em 9:17

  14. O texto “Tudo se explicaria” da Revista Piauí mostra a difícil luta da maioria dos cientistas em divulgar suas pesquisas. No Brasil infelizmente ainda é muito difícil obter reconhecimento e divulgação em pesquisas científicas no meio de tantos assuntos e pautas. Os cientistas que conseguem uma boa divulgação ou é porque estão em uma grande instituição de ensino ou porque conseguiram apoio e patrocínio de grandes empresas. É difícil selecionar os estudos realmente corretos e importantes no meio de tantas pesquisas científicas que são produzidas no país. A ironia do autor mostra a frustração de vários cientistas brasileiros que não conseguem o reconhecimento merecido dos veículos de comunicação em sua pesquisa. Com a ironia, o autor consegue revelar sua opinião e sua indignação de maneira muito inteligente e de uma forma que não o comprometa.

    Patrícia Lelli Ferreira

    24/04/2012 em 11:02

  15. O 27º governador de São Paulo (1983-1987), André Franco Montoro, professor universitário, formado em Direito, Filosofia e Pedagogia, teria dito certa ocasião, que, “de vez quando é preciso dar ouvidos a um louco. Quem sabe, o cara tem uma ideia genial”. Quem sabe esse não seria o caso do engenheiro civil, formado pela Escola de Engenharia da UPS São Carlos, Hélio Barnabé Caramurú, com sua teoria “A Matemática da Evolução”. Quem sabe mesmo, pois, me parece, que até na ciência há certa resistência ao que está fora do padrão, fora dos paradigmas, diferente dos limites impostos pelos modelos. Na vida é preciso ousar, romper os paradigmas, avançar barreiras para ir além do que outros já foram, pois, se for feito o mesmo que outros fizeram, seguir o mesmo caminho que outros seguiram, obviamente, se chegará aos mesmos lugares, aos mesmos resultados. Na ciência não é diferente. Nem sei se esse é o caso, mas bem que poderia ser. O “louco” precisa ser ouvido, pois, para virar “gênio” basta a comprovação do que ele acredita ter concebido. O esforço dele não é pouca coisa. Uma rápida busca, sem esforço algum, na Internet, logo mostrou que Caramurú produz com persistência. Encontramos doze artigos de sua autoria, alguns rebuscando a teoria “A Matemática da Evolução”. Tem até uma ousada “Teoria do Caos”. Ele usa a teoria até para calcular a velocidade dos ventos. Há, ainda, um livro, “Destino Terra”, que é classificado como esoterismo, religião ou filosofia no mesmo site (Estante Virtual). Em um dos textos, “humildemente” ele relata, discorrendo sobre a grande aplicabilidade de sua teoria, que “ela nos mostra, e nós por enquanto, não sabemos interpretá-la; é só questão de tempo. Num futuro próximo, talvez, um cientista poderá ‘brincar’ com tais variações usando a teoria e a pratica de laboratório e identificar doenças”. Até identificar doenças. Ele surpreende. E é isso que intriga na amplitude de sua proposta. E conclui em outro texto, muito esperançoso: “Esperamos que a Ciência, usando como degrau a teoria ‘A matemática da evolução’ saiba encontrar a ‘Teoria de Tudo’ (que ele chega a propor como Deus). Esperamos que, com isso, a humanidade saiba encontrar o seu caminho para o amor, para a paz e, para a compreensão de seu papel no Universo”. Ele só pode ser um cara do bem. Mesmo que os cientistas tenham deixado, por ora, suas correspondências de lado, quem sabe, em algum momento a teoria possa ser comprovada, e toda a esperança de Caramurú, de transformar pra melhor a vida desta humanidade, saia de seu imaginário e vire realidade. Basta apenas a coragem de, minimamente, quebrar regras, pois, é só assim que, audaciosamente, se vai onde nenhum homem jamais esteve (Jornada nas Estrelas). O desprezo que Caramurú experimentou das comunidades científicas, teorizando agora pela proposta do quebrar de paradigmas, proposto neste comentário, nos remeteria à um poeta, repentista e instrumentista cearense, com nome de um dos três Reis Magos, Belchior, que levou ao apartamento da fabulosa Elis Regina, a letra de uma música, dizendo que “apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos, e vivemos, como os nossos pais”. ‘Vida longa e próspera’ (Dr. Spock) aos ‘loucos’.

    Francisco de Assis Bergamim

    24/04/2012 em 23:30

  16. Pelo texto lido, deduz-se que, para obter reconhecimento mediante uma descoberta ou produção científica, é necessário muito esforço e que, como mostrado no texto, nem sempre é bem sucedido. Divulgar tornou-se menos difícil no mundo digital, mas a credibilidade independe dos meios. A ironia e bom humor o texto também refletem um pouco da opinião do próprio autor, que também não parece acreditar no sucesso da fórmula matemática. A grandeza de uma descoberta científica deixa muitos com o pé atrás.

  17. A matéria “Tudo se explicaria” traduz a meu ver a realidade que muitos cientistas, pesquisadores e inventores que muitas vezes não conseguem apresentar seus trabalhos em grandes revistas do gênero ou conseguir financiamentos, muitas vezes os trabalhos têm grande valor para a sociedade, mas o que acontece é que muitos desses responsáveis pelas publicações se sentem amedrontados com o tipo de alcance que o trabalho do outro pode vir a ter sendo assim o seu próprio trabalho às vezes de muitos anos pode ser esquecido por um novo cientista da praça, como sempre o ego de domina todas as áreas da sociedade.

    Evandro Goulart

    25/04/2012 em 16:19

  18. O presente texto, muito bem escrito e com um humor sarcástico, revela aos pobres mortais como é difícil a divulgação de pesquisas científicas no país em que vivemos. Este é um exemplo claro de que muitos pesquisadores batalham a vida inteira para transmitirem suas ideias e quando pensam que o destino está conspirando a favor, Nada. Os motivos para tamanho descaso com as pesquisas são incontáveis, que vão desde o “estrelismo” de alguns cientistas e até mesmo a falta de interesse de veículos científicos em divulgar tais pesquisas.

    Mariana Lemes

    25/04/2012 em 16:31

  19. O texto “Tudo se explicaria”, publicado na Revista Piauí, revela uma grande preocupação de como é complicado cientistas divulgar suas pesquisas. Analisando o caso no Brasil, percebemos que há ainda uma grande batalha para obter reconhecimento e divulgação em pesquisas no âmbito cientifico, percebemos também que muitas pesquisas dão certas, porém não tem divulgação nenhuma, pois falta investimento, conhecimento ou até mesmo está relacionada com a falta de interesse pela mídia. No caso da ironia destacada no texto, podemos interpretar como uma forma frustração, no qual o cientista principalmente no Brasil não consegue o tão merecido reconhecimento de suas pesquisas. Em seu texto o autor também revela a falta de espaço dada aos cientistas, talvez a internet possa enfrentar e quebrar “essa” barreira através de grandes divulgações.

    Luis Gustavo Rizzo

    27/04/2012 em 10:56

  20. Neste texto fica claro a dificuldade de alguns ciêntistas publicarem suas pesquisas, seja por falta de interesse da mídia, seja por falta de interesse de instituições, o texto fala de uma maneira bem descontraída a saga para um ciêntista divulgar suas pesquisas, suas ideias de modo autônomo.

    Na minha opinião um pouco disso acontece pela falta de interesse da população e da mídia, pois pesquisas científicas não dão muito retorno financeiro, e com isso fica bem dificil ter espaço para publicação de artigos científicos.

    erica roveder

    27/04/2012 em 15:42

  21. O texto “Tudo se explicaria” mostra, de forma crítica e sarcástica, o extremo da dificuldade para se publicar um artigo científico ou, pior, ter uma teoria reconhecida pela academia. O artigo da revista Piauí não deixa claro o conteúdo do que é apresentado pelo personagem, mas deixa claro que as pedras no meio desse caminho são diversas, mas, sobretudo, mostram o quão rígida é a academia. Pelos mesmos percalços podem passar os jornalistas, ao tentar reproduzir um estudo ou uma nova experiência em uma matéria ou reportagem. A desconfiança está por trás da necessidade de se ter um nome respaldado por alguma instituição ou publicação reconhecida.

    Felipe Turioni

    27/04/2012 em 18:04

  22. Senão tudo, pelo menos muitas mais coisas poderiam ser explicadas. Bastante sério e para se pensar o caso de como os valores devidos são poucas vezes corretamente distribuídos, principalmente ao que podemos considerar informação.
    São tantas pessoas comunicando tanto, e claro, o desnível de alcance entre informações que apenas distraem e as que contribuem para a evolução intelectual, é mais que perceptível.
    Este citado no texto, tenho certeza que é apenas um dentre outros vários casos de pessoas que passam anos de sua vida estudando e tem algo a dizer mundo afora.
    Independe o certo ou errado, há um método, e dele pode-se fazer muito proveito.
    Acompanhamos durante toda história exatamente isso de teorias que foram apresentadas, quebradas, aceitas, ajustadas… É preocupante ver principalmente a comunidade acadêmica desvalorizando o resultado de um exercício que tenta ser defendido e argumenta-se por seu embasamento em conceitos científicos.

    Nilton Storino Jr.

    27/04/2012 em 20:47

  23. O texto acima mostra claramente a ignorância humana. Muitas vezes julgamos esta ser presente apenas em algumas áreas ou classes sociais, devido ao preconceito imposto pela nossa sociedade. Erro. A falta de capacidade para romper paradigmas, explorar e conhecer o novo torna-se evidente até mesmo entre filósofos e cientistas de grande porte.
    O triste e complicado drama do engenheiro civil aposentado Hélio Barnabé Caramuru, retratado em artigo por Bernardo Esteves, é apenas um dos inúmeros casos desconhecidos por nós. Quantas e quantas descobertas, pesquisas, entre outros, são desprezados pela ciência e por seus “julgados” intelectuais? Talvez o número seja desconhecido, entretanto podemos imaginar que ele nos assustaria se realmente este fosse divulgado.
    E não somente na ciência esta ignorância se faz presente. Esta que forma o preconceito em aceitar o novo, desconhecido, está sempre presente em nosso cotidiano em diversas situações. Simplesmente fechamos os olhos diante deste desprezo e aceitamos o fato do anonimato sem imaginar que o pouco às vezes se torna muito e sim, este pode fazer a diferença.

    Elaise Silva

    14/05/2012 em 20:21

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