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Francisco Rolfsen Belda

Sempre falta alguma coisa

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Apesar do valor simbólico, tanto faz para Araraquara estar em primeiro (2010) ou em terceiro lugar (2011) no ranking de qualidade de vida de municípios divulgado nesta semana pela Firjan. Métodos são sempre discutíveis e, como lembra Machado de Assis nas memórias póstumas de seu Brás Cubas, não devem “usar gravata”. O importante é que a cidade tem, reconhecidamente, um dos mais altos padrões de desenvolvimento do País, com bons níveis de emprego, renda, saúde e educação. Não é bem primeiro mundo. Mas é muito bom.

Não temos grandes problemas estruturais além do que é comum às cidades do Brasil. Pode-se questionar e até adjetivar a zeladoria urbana, os buracos no asfalto, os critérios de guarda dos discos nos museus, as complicações do sistema de trânsito, uma ou outra ação administrativa ou as cores da pintura de alguns prédios municipais. Às vezes essas coisas irritam o cidadão. Mas não levam ninguém a querer se mudar daqui. Para a maioria, está bom assim.

Comemorações pela boa situação de Araraquara, porém, não devem mascarar a necessidade de se melhorar a qualidade dos serviços de saúde e das oportunidades de emprego, por exemplo. Mesmo quando se avança, esses problemas se renovam e ficam mais “complexos”, como disse o próprio prefeito, em entrevista à Tribuna (7/11, p. 2). Para quem tem atendimento atrasado numa emergência, ou para quem perde um emprego, não está nada tão bom assim.

Para sociólogos, faltam ainda políticas públicas. Falta também um aterro sanitário e mais reciclagem de lixo. Falta concluir o contorno e começar as obras da orla ferroviária. Falta inserir a cidade nas rotas aeroviárias. Falta explorar melhor a sinergia com universidades e escolas técnicas. Falta atrair investimentos em novos serviços e tecnologias. Falta revitalizar a área entre a estação de trem o o Centro. Falta redescobrir vocações esportivas e culturais. Falta controlar a dengue e o crack.

Mas até no primeiro mundo é assim. Sempre falta alguma coisa.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

10/11/2011 às 15:38

Publicado em Coluna

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