teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Tabela de “jobs” parlamentares

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Na terça-feira, quando os vereadores de Araraquara aprovaram reajuste de 60% em seus próprios salários, para R$ 8 mil, voltou-me aquela ideia de que parlamentares pudessem ganhar remuneração variável, conforme seu desempenho, mérito e produtividade (coluna de 06/10/2011). Poderiam, assim, ganhar bem, muito bem até, desde que sua ação produzisse benefícios maiores do que seu custo para a sociedade. Ideia insensata, mas que faz pensar.
Deveria, é claro, haver um teto, como de fato há, com base no que ganham juízes de cortes superiores e congressistas em Brasília. Mas todo mundo sabe que esse teto, na capital federal, acaba sendo de muitas formas desrespeitado, com sobreposição de funções, salários acumulados, férias dobradas, jetons e toda uma rede de assistências e mordomias de fazer inveja a lorde inglês, que vai de copeiros e motoristas a assessores e consultores para todas as áreas e em diversas praças. Mal sabemos calcular quando custa isso. Entre deputados e senadores, pode passar de R$ 150 mil por mês.

Se minha ideia improvável vingasse, o trabalho de cada parlamentar, depois de eleito, valeria justamente o quanto pesa. Difícil, então, seria definir os valores para uma possível tabela de “jobs” parlamentares. Imagine só. Apresentação de projeto de lei que seja constitucional: R$ 2 mil. Coordenação de audiência pública: R$ 1,5 mil. Participação produtiva em grupo de trabalho ou comissão: R$ 1,2 mil. Representação em reunião relevante: R$ 250. Requerimento inédito e original: R$ 100. Indicação para nome de rua ou avenida: R$ 0,80. Assistência para retirada de multas… bem, deixa pra lá.

Pensando melhor, é mesmo uma ideia idiota, que esculhambaria nossa jovem democracia. Logo, logo, haveria vereador fazendo control-C/control-V em sites de templates legislativos na internet, com calculadora na mão, e o plenário da Câmara Municipal acabaria virando um simples guichê de serviços. O que é ruim, mas, cá entre nós, não muito pior do que vê-la transformar-se em um sofisticado balcão de negócios.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

18/04/2012 às 23:43

Publicado em Coluna

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