teia de ideia [mídia e tecnologia]

Francisco Rolfsen Belda

Texto para reflexão e comentário: “Quão real é a física?”

com 8 comentários

Leia o texto a seguir, publicado pelo colunista Hélio Schwartsman na Folha de S. Paulo (p.A2, 27/05/2012). A partir das reflexões apresentadas em aula acerca da “racionalidade científica” e das ideias de Karl Popper sobre os três mundos que compõem a “realidade”, comente o assunto,  considerando de que modo (e até que ponto) o jornalismo pode promover uma maior compreensão pública sobre os métodos e processos científicos?

Quão real é a física?

por Hélio Schwartsman

 SÃO PAULO – Não são poucos os que acusam a física contemporânea de estar criando um universo de abstrações matemáticas intestáveis. Para esses críticos, a disciplina estaria se aproximando perigosamente da metafísica e da religião.

Acaba de ser lançado no Brasil o excelente “A Realidade Oculta”, em que Brian Greene, um dos profetas dessa nova física, defende sua filosofia. Greene descreve de modo quase compreensível nada menos que nove versões de multiverso, isto é, da ideia de que existem realidades paralelas.

De acordo com alguns desses modelos, há mundos em que diferentes versões de você leem agora esta mesma coluna; em outros, seu eu alternativo está lendo a coluna, mas ela fala de escultura. O número de realidades pode ser infinito, ou, ao menos, absurdamente grande, abarcando todas as possibilidades concebíveis que não violem as leis da física.

Em outros modelos, universos paralelos brotariam como bolhas de sabão, resultado de flutuações quânticas submetidas à inflação cósmica. Combinações desses nove tipos não estão descartadas. Algumas propostas são tão complexas que até religiões parecem mais lógicas.

Dá para acreditar nessas coisas? Essa é a polêmica entre realistas e instrumentalistas. Para os primeiros, a resposta é sim. Universos paralelos existem e devemos crer neles porque é aonde as equações nos levam. Lembram que não havia ideia mais estranha que a de que a Terra se move em altíssima velocidade pelo espaço. Afinal, o que vemos é o Sol cruzando os céus e não sentimos movimento algum. Foi a matemática de Copérnico que nos levou ao paradigma heliocêntrico, hoje inconteste.

Já para os instrumentalistas, a realidade é, no fundo, incognoscível. Tudo o que a ciência pode oferecer são previsões corretas e é a elas que devemos nos ater. Em termos rigorosos, não sabemos ao certo nem se a matemática e a lógica são reais.

Façam suas apostas.

Escrito por Francisco Rolfsen Belda

28/05/2012 às 15:54

Publicado em Jornalismo Científico

8 Respostas para 'Texto para reflexão e comentário: “Quão real é a física?”'

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  1. O texto de Hélio Schwartsman abre discussão sobre a definição exata de ciência e o que ela pretende abranger como conhecimento.

    O conhecimento que temos da nossa realidade não pode apenas se basear no método racionalista clássico, baseado no método rigoroso, que é objetivo e matemático. Há outras variáveis envolvidas, como economia, aspectos sociais, costumes, tradições, que influem no modo como agimos e de como vemos o mundo. Será que a ciência pode ser apenas objetiva? Ou o conhecimento que possuímos está baseado na forma como enxergamos o mundo?

    Desta forma, cabe ao jornalismo dar a visão crítica do mundo ao seu leitor. Interpretar a ciência e tornar seu conhecimento acessível – e ao mesmo tempo completo – é o objetivo da divulgação científica. A construção da realidade científica e o entendimento dos seus métodos são processos complexos para os que não estão envolvidos com o meio acadêmico. Aos jornalistas cabe mediar, criticamente e explorando ao máximo o conteúdo, os extremos entre o conhecimento científico e o acesso do público às pesquisas.

    Cássio Leonardo Carrara

    29/05/2012 em 16:36

  2. O texto escrito por Hélio Schwartsman aborda sobre como a Ciência deseja compreender o conhecimento,ele comenta sobre os modelos existentes de outras realidades e se é possível realmente existir.
    Karl Popper fala em seu texto “A busca do mundo melhor” que a realidade é dividida em três mundos que estão interconectados e que de algum modo se influenciam seriam o mundo físico,o mundo psíquico que é de nossas vivencias,dos seres humanos e o mundo espiritual,de produtos objetivos que seria a Cultura.
    O Jornalismo pode sim promover uma maior compreensão pública sobre os métodos e processos científicos em uma linguagem inteligente e que proporcione acesso livre para todos que estejam interessados em saber coisas novas .Agora coisas que não são necessárias vim ao publico saber cabe ao jornalista saber se é certo ou não divulgar .

    Camila Fernanda Servo

    02/06/2012 em 15:36

  3. “O que a experiência e as observações do mundo real podem e devem tentar fazer é encontrar provas da falsidade daquela teoria. Este processo de confronto da teoria com as observações poderá provar a falsidade da teoria em análise. Nesse caso há que eliminar essa teoria que se provou falsa e procurar uma outra teoria para explicar o fenómeno em análise”.
    Segundo, Karl Popper.

    O jornalista pode e deve publicar para o público os conhecimentos, argumentos, citações, informações enfim, métodos científicos assim provados e explicados para o melhor entendimento do leitor e com um vocabulário claro, objetivo e ao mesmo tempo inteligente para que todas as pessoas possam ter acesso e inove cada vez mais a própria cultura passando assim para o próximo. Conservando todas as histórias, costumes, cultura de povos diferentes e respeitando a todos com responsabilidade.

    Tamiris Marchi Bunhola

    08/06/2012 em 19:19

  4. No texto de Hélio Schwartsman, fica evidente o embate das diversas formas de ciências (química, física, filosofia), isso porque todos os moldes usados por elas são suscetíveis a questionamentos, além, de mudança para com a mesma ciência dependendo de como e onde for aplicada. Realidade como a matemática onde 2+2=4 não há como se discutir, pois se trata de uma ciência “exata”, mas sua concepção, aplicação é desenvolvimento são sempre questionáveis. O campo da ciência, pode talvez não ter encontrado respostas para tudo mais se perpetua nas realidades até então existes, na qual se baseia para moldar seus novos, e vive sempre a espera de um novo conceito que prove que a realidade usada, não é a correta desde que se tenha um forte evidência do assunto abordado, sendo assim sempre haverá o embate de idéias, conceitos e teorias.

    Evandro Goulart

    17/06/2012 em 7:05

  5. O texto acima pretende mostrar o que a ciência abrange como conhecimento e discute uma definição mais exata do que é a ciência.
    Com o passar dos anos e o acumulo de experiências, nós vamos adquirindo nossos conhecimentos, conhecimentos esses que envolvem nossa própria realidade, porém para que alcançamos tal conhecimento precisamos nos basear não apenas no método racionalista clássico, ou seja, aquele método mais objetivo e rigoroso, precisamos perceber que existem outras várias questões a serem observadas como os aspectos sociais e econômicos, os costumes e as tradições que acercam o mundo em que vivemos.
    Ao jornalismo cabe mostrar ao seu público uma visão mais crítica do mundo em que habitamos. O jornalismo deve interpretar a ciência e a partir do seu entendimento transmiti-la de maneira acessível às pessoas. Cabe a nós futuros jornalistas, transmitir e explorar ao máximo os conteúdos científicos, para que esses sejam de fácil acesso ao público.

    Mariana Lemes

    18/06/2012 em 16:46

  6. Não há duvidas de que o texto reabre a discussão sobre a exatidão da ciência e o aumento da complexidade conforme a evolução das pesquisas. Isto é, contribui para o fator de que o conhecimento pode ser infinito e as conclusões nem sempre são exatas.
    Pode se entender também que haja correntes transformações na ciência de uma forma geral.
    Ao jornalista cabe informar da maneira correta não deixando que conclusões precipitadas sejam publicadas ou até mesmo faça com que o leitor reflita de forma errônea certos aspectos científicos.

    Vitor Hugo Franceschini

    21/06/2012 em 17:31

  7. O texto de Hélio Schwartsman faz uma comparação entre os realistas e Intrumentalistas e nos aponta duas possíveis ideias de entendimento.

    Cabe ao jornalista mediar a interpretação da ciência aos mais leigos tornando possível esse entendimento, além de argumentar de maneira crítica o que de fato é ciência e o que pode-se entender como ciência.

    Andreza Palanca

    25/06/2012 em 17:57

  8. O texto escrito por Hélio Schwartsman mostra que sobre que não há duvidas sobre a precisão da ciência sim, contribui na corrente do conhecimento abrange e discute nossa própria realidade mostrando que o conhecimento pode ser alcançado com base. A transformação na ciência de forma geral cabe ao jornalista mostra descrever de uma maneira clara e concisa para o seu leitor mostrando os aspectos corretos do jornalismo cientifico.
    Karl Popper no texto analisado “A busca do mundo melhor” mostra a realidade três mundo diferente que se interconectando influenciando como explicar o mundo da realidade com fenômenos, teorias e analise.

    Francisléia Regina de Favere

    25/06/2012 em 19:22

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